A simplicidade do que é importante

domingo, 16 de dezembro de 2012

Como uma chuva de verão que vem e cedo passa, assim é nossa vida. No fim valerá o que fizemos, vivemos, desfrutamos. Muito se diz sobre mordomia quando se trata de dinheiro, mas nada se diz sobre como temos gastado nosso tempo. Tempo, precioso tempo, que passa e escoa por nossas mãos sem ao menos percebe-lo, do qual estamos sempre reclamando de escassez, sempre queixosos pela falta dele. Mas como temos vivido e desfrutado de nosso tempo?

Estamos constantemente tentando encontrar tempo para conciliar nossas atividades e programas. Quase não existe planejamento em nossas rotinas, e quando acontece, acabamos frustrados por não conseguirmos realizar metade do que havia planejado. O que mais me impressiona, é como por vezes, os imprevistos são tão providenciais. O tempo corre e nos revela que nada o vence, nada foge do seu relógio implacável.


Agora estou na varanda de casa, sentado na mesa em frente ao laptop, ao som dos pássaros cantando na mangueira, acariciado por uma leve brisa após uma chuva de verão. Vejo as árvores agitadas pelo vento. Muitos veem a beleza de um céu azul e ensolarado, mas hoje consigo contemplar o esplendor de um tempo fechado, nublado. A beleza de cada nuvem escura e carregada. Se muitos dos planos que tinha para hoje tivessem se concretizado, jamais conseguiria experimentar a raridade desse momento.


Ao mesmo tempo que me aflora um sentimento de tanta impotência, que me faz tão incapaz e confuso diante de tanta graça dispensada, me pego imerso em uma paz que excede o meu entendimento limitado e banal. Nada agora é fútil, tudo neste momento é certo, exato.


Graças a Deus por cada imprevisto, por cada oportunidade de contemplar, de nos colocarmos diante do infinito das pequenas coisas. Pela simplicidade de cada situação, de cada gesto que nos faz estar diante de coisas maiores, coisas que realmente importam.





LEONARDO CARVALHO é blogueiro e autor do Reformando Conceitos. Esposo da Cláudia (com quem escreve no e a gente se encontrou), pai da Tábata. Também é colaborador do Blog Apologetas. É músico e compositor. Formado em Teologia Ministerial no Seminário Vida Nova, cursa o bacharelado na FBMG. É membro da PIB Nova York em Belo Horizonte (MG).

Quanto vale a vida?

sábado, 17 de novembro de 2012


Me veio a mente um episódio que realmente me deixou bastante abalado. Era uma quinta feira de dezembro de 2011. Trabalhava em uma livraria no centro de Belo Horizonte. Lembro-me que estava acontecendo muitos acidentes. O transito exaustivo por causa do movimento das compras de natal, fez com que a volta para casa se tornasse uma sina.

Naquele dia acabei saindo mais cedo do trabalho devido ao meu compromisso com os estudos bíblicos na PIB Nova York. O ônibus demorou bastante, mas o transito não estava caótico como de costume. Ao chegar perto da Lagoa da Pampulha, próximo a entrada da Avenida Dom Pedro I, o transito simplesmente parou. Ficamos cerca de 20 minutos estáticos, sem saber o que estava havendo. Aos trancos do ônibus, íamos de maneira bem lenta sentido a região de Venda Nova.

O ambiente estava confuso. Muita gente se escorando uma nas outras, um calor insuportável e pra variar as pessoas ficavam mais tensas e nervosas por aquela situação. Quando chegamos próximo ao bairro São João Batista, mudamos para a pista esquerda, próximo ao canteiro central. As outras duas pistas estavam tomadas de viaturas da polícia e ambulâncias. Alguns metros a frente um caminhão e um rastro de sangue no asfalto. Mais a frente uma moto e um corpo estendido na avenida com um cobertor.

O fato foi que ao tentar uma ultrapassagem, o motociclista bateu em um carro pela esquerda e acabou caindo. O motorista do caminhão não conseguiu uma frenagem a tempo. Aquele rapaz morreu no local de maneira triste, com partes do seu crânio espalhadas por toda a avenida. Fiquei bastante chocado pela violência com que tinha acontecido aquele acidente. Mas nem chegou perto do que realmente me deixou perplexo. Após 1 hora e meia de apreensão e nervosismo, as pessoas do ônibus começaram a esboçar reações que me fizeram refletir seriamente em como enxergamos a vida e as pessoas. Muitos gritaram: “É por isso? Motociclistas têm que morrer mesmo! São todos inconsequentes!”. Outros diziam: “Estou perdendo minha novela por causa disso?”. Nem por um minuto passou na cabeça daquelas pessoas aquela vida que se findou. Na família, nas expectativas, nos sonhos terminados ali.

Pode-se até vir ao pensamento: Mas não o conhecíamos! Quem enxergamos como nosso próximo? Quem pode se considerar humano, e não se sensibilizar com tamanha tragédia? Como não refletir na vida, nas coisas futuras? Como não compartilhar tamanha tristeza em ver a dor escancarada no olhar de cada familiar? Como não ponderar que estamos cada vez mais duros, insensíveis. Que estamos escravos de nossa rotina e a mesma nos fez criar um mundo aparte, onde a única coisa que nos importa somos nós. Onde a vida alheia não tem relevância. Onde os relacionamentos são exclusivamente comerciais, com uma pitada de oportunismo. Onde cada dia mais estamos conectados no que chamamos de redes sociais, mas paradoxalmente, mais e mais sociopatas. Nos isolamos de qualquer compromisso com as pessoas para não criarmos nenhum vínculos. Vivemos, ou melhor, vegetamos em um mundo desumano. Quanto vale a vida? Quando vale? Pense, reflita, pondere...reforme-se!





LEONARDO CARVALHO é blogueiro e autor do Reformando Conceitos. Esposo da Cláudia (com quem escreve no e a gente se encontrou), pai da Tábata. Também é colaborador do Blog Apologetas. É músico e compositor. Formado em Teologia Ministerial no Seminário Vida Nova, cursa o bacharelado na FBMG. É membro da PIB Nova York em Belo Horizonte (MG).

Hélvio Sodré

sábado, 20 de outubro de 2012


A primeira vez que ouvi falar do Hélvio, foi através do meu grande brother Pedro Henrique. Ele elogiou tanto a sua música que resolvi procurar um pouco mais sobre o cantor. Sinceramente fiquei pasmo. É muito bom! Decidi então compartilhar sobre este cantor promissor.
Nascido em Itabuna-BA, desde cedo Hélvio sempre mostrou afinidade com a música. Ao se mudar para Brasília, durante a adolescência, montou uma banda chamada Drakma, na qual começou a esboçar seu talento para compor, tocar e cantar. Mais tarde integrou o ministério FreakZ Louvor Jovem, onde além de compor, também tocava contra-baixo. No começo do ano de 2009, montou uma banda de rock alternativo chamada Diário de Pulso.
Com o amadurecimento musical e atendendo ao chamado de Deus, em julho de 2009 começou sua carreira solo com as gravações do cd “Por Aí”, no qual apresenta algumas de suas composições e a proposta do seu ministério, que é de sair pelo mundo cantando, pregando e compartilhando a mensagem graciosa do evangelho.

Hélvio Sodré possui um estilo próprio e marcante em suas composições. Com seu rock alternativo, ele se destaca pela originalidade tanto nas linhas melódicas, quanto em suas letras, que tratam das mais diversas coisas da vida sob o viés da Palavra, com a proposta de produzir arte cristã relevante.

Último Ato



A grande separação

quarta-feira, 5 de setembro de 2012


O Sermão do Monte poderia terminar com a conhecida “lei áurea”: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas” (Mt. 7:12). Assim terminaria o mais famoso sermão de Jesus. Um bom resumo de tudo o que ele havia acabado de ensinar.

Porém Jesus não para aqui, ele segue com uma recomendação e conclui com uma pequena parábola, onde deixa claro o que ele espera dos seus ouvintes. Uma forma de entender a conclusão deste sermão encontra-se nos pronomes: “nem todo o que me diz…”, “aquele que faz a vontade do meu Pai…”, “…hão de dizer-me…”, “apartai-vos de mim…”, “ouve as minhas palavras…”. São pronomes que nos levam a considerar o pregador, e não apenas a pregação.

São estas palavras que formarão o texto que definirá o julgamento e o julgamento terá como fundamento o que as pessoas fizeram com suas palavras. Jesus começa sua recomendação dizendo: “entrai pela porta estreita…”. É um imperativo. No final do sermão, Jesus afirma que existem duas portas e dois caminhos. Um deles leva à perdição, o outro à vida. Jesus reconhece, com tristeza, que são poucos os que entram pelo caminho estreito. Bonhoeffer chama este texto da “Grande Separação”. Diz ele: “testemunhar a verdade de Jesus e confessá-la e, ao mesmo tempo, amar com o amor incondicional de Jesus os inimigos dessa verdade, é um caminho apertado”.

O caminho estreito não é um caminho imposto a nós, é o caminho que Jesus trilhou e que nos convida para andar por ele. O caminho largo é o caminho que chega a nós pela imposição da maioria. Jesus não diz que quem não andar pelo caminho estreito ele vai punir ou destruir. É o próprio caminho largo que conduz à morte. Na parábola dos dois construtores, a diferença não está no ouvir, ambos ouviram. A diferença está no fazer. A casa que cai é composta por aqueles que consideram as palavras de Jesus bonitas para se ouvir, boas para se falar, mas irreais para serem praticadas. Jesus afirma nesta conclusão do sermão que “nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”.

Existe uma diferença entre os sinais do poder e da ação de Deus, e os sinais de que pertencemos a Ele. Deus pode expulsar demônios usando qualquer pessoa. Os sinais de que pertencemos a ele são os frutos da obediência, o praticar aquilo que Jesus ensinou.





Ricardo Barbosa De Sousa é Pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília (DF). É autor de "Janelas para a Vida" e "O Caminho do Coração". 

Idéias... #01

Se eu me declaro por um partido, este se torna, por isso mesmo, o meu partido. Ora, a igreja de Jesus não é minha, mas sempre a sua igreja. 

Joseph Ratzinger
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