Ed Sheeran... I See Fire - O Hobbit: A desolação de Smaug

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013


O britânico Ed Sheeran lançou recentemente sua mais nova música "I See Fire"; destaque como trilha em 'O Hobbit: A Desolação de Smaug'. Sheeran toca todos os instrumentos exceto violoncelo. A canção tecnicamente o torna elegível para a "Melhor Canção Original" do Oscar 2014. Além disso, "I See Fire" lembra canções folclóricas irlandesas. Sem dúvida uma das mais belas trilhas de cinema dos últimos tempos. Confira!




Os 12 livros de 2013 que os cristãos devem ler


O final do ano é tempo de retrospectivas. O que de melhor foi publicado no Brasil em 2013 sobre a fé cristã? São doze os meses do ano, e são doze as indicações. Incluí nesta lista somente livros publicados no Brasil este ano, de autores brasileiros ou traduções. Esses são os livros que considero serem as principais contribuições para o avanço da reflexão cristã no Brasil, para o estudo bíblico e teológico e para uma percepção mais acurada do significa ser um discípulo de Jesus Cristo. 

Esta seleção visa municiar o pensador cristão com as obras mais bem escritas, mais interessantes, ricas, controversas e, logo, indispensáveis. Estes são os doze incontornáveis, um para cada mês. O leitor destas obras não ficará ileso: poderá discordar das ideias, se sentir ofendido, impactado, fora da sua zona de conforto, estimulado, empolgado, horrorizado, mas não ficará indiferente a eles. São livros que nos fazem pensar, refletir sobre nossas convicções, para alterá-las ou confirmá-las. Só há uma coisa que ninguém deve fazer: ignorá-los.

Evidentemente, esta lista (como qualquer outra) é pessoal, e o leitor poderá discordar ou concordar à vontade. A amizade continuará a mesma. Espero poder ter contribuído para a reflexão cristã inteligente e equilibrada, e poder ter estimulado a muitos para se tornar um teólogo contemporâneo autodidata. Listei as doze obras de 2013 selecionadas na ordem de relevância. Aproveito para lhes desejar um ótimo 2014, com muitas e boas leituras.


1. A Ressurreição do Filho de Deus. N.T. Wright. Editora Paulus.


Possivelmente o melhor lançamento do ano, este livro de postura moderada nos estudos acadêmicos acerca de Jesus foi escrita por um homem de fé que é também um dos mais inteligentes e admirados biblistas contemporâneos. O anglicano Nicholas Thomas Wright (1948-) é o autor de “Paulo: Novas Perspectivas” (Loyola, 2009), e do excelente Simplesmente Cristão (Ultimato, 2008). Wright é constante na qualidade e profundidade de seus escritos. Já publicou mais de vinte livros de qualidade incontestável, que o tornam um dos maiores teólogos de nosso tempo. Ao mesmo tempo erudito e piedoso, Wright é um modelo para todo escritor e pensador cristão.


2. Jesus em Nova Perspectiva: O Que os Estudos sobre o Jesus Histórico Deixaram para Trás.James D. G. Dunn. Editora Paulus.


Menos específico que o anterior, porém mais didático e mais provocador, esta obra é excelente para quem quer se inteirar dos mais recentes avanços nos estudos sobre Jesus. James Dunn (1939-), talvez o maior biblista vivo, autor do essencial “Unidade e Diversidade no Novo Testamento” (Academia Cristã, 2009) e também do excelente “A Nova Perspectiva em Paulo” (Paulus, 2011), exemplifica muito bem neste novo título aquilo que chamo de “leitura dupla”, ao mesmo tempo atenta e generosa, buscando aprender, e por outro lado, crítica e desconfiada. Assim Dunn analisa os estudos de Jesus, e é assim que devemos abordar qualquer obra ou tradição teórico-conceitual, inclusive as tradições teológicas. 


3. Pós-Escritos às Migalhas Filosóficas. Volume 1. Soren Kierkegaard. Editora Vozes.


Finalmente é publicada no Brasil a obra-prima de Søren Kierkegaard (1813-1855), “Afsluttende Uvidenskabelig Efterskrift” (1846), em uma tradução caprichada de Álvaro Luís Montenegro Valls, um dos maiores intelectuais brasileiros contemporâneos, professor da Unisinos, RS. Foi uma boa maneira de celebrar os 200 anos de seu nascimento. Kierkegaard não é apenas mais um pensador cristão entre outros. Ele é um dos cinco mais importantes pensadores cristãos da história, e é possível propor, sem corar, que é o maior autor de todos os tempos. Não se trata de um livro de meditações bíblicas, como “As Obras do Amor” (1847; Vozes, 2007), mas antes um texto filosófico que discute, entre outras coisas, os fundamentos metateóricos da fé, as categorias da subjetividade, da interioridade, da existencialidade e do ético-religioso, e sua importância para a vida cristã. Este livro, que se propõe como uma espécie de continuação do essencial “Migalhas Filosóficas” (1844; Vozes, 2008), é um texto difícil, mas que vale muito a pena. Sugiro fazer antes a leitura de “Migalhas Filosóficas”, um livro bem menor em volume aliás, com cerca de 150 páginas, quando comparado ao “Pós-Escritos”, com quase 700 páginas, das quais a metade estão disponíveis neste primeiro volume da tradução.


4. As Divinas Gerações. Paulo Brabo. Fonte Editorial.


Este é o mais importante lançamento de 2013 de um autor brasileiro. Paulo Brabo é provavelmente o mais brilhante e controverso teólogo brasileiro hoje. Sua obra anterior, “Bacia das Almas” (Mundo Cristão, 2009), vendeu aos milhares, surpreendeu e chacoalhou a reflexão evangélica brasileira. Brabo, em seu novo livro, muito melhor, reflete com propriedade sobre os rudimentos da condição cristã, sobre a necessidade de retornar à religião de Jesus, soterrada no cristianismo por toda sorte de sistemas teórico-conceituais insatisfatórios. O que mais surpreende no livro é a beleza da expressividade, a estética acurada, a ironia divertida deste que é um grande mestre da palavra escrita.


5. A Espiritualidade, o Evangelho e a Igreja. Ricardo Barbosa de Sousa. Editora Ultimato.


São raros os livros que nos trazem de volta ao essencial, tratando do tema da espiritualidade cristã de uma forma compreensível e aplicável à vida cotidiana. O novo livro do presbiteriano Ricardo Barbosa é assim. Já conhecíamos os excelentes “O Caminho do Coração: Ensaios sobre a Trindade e a Espiritualidade” (Encontrão, 1996) e também “Janelas para a Vida: A Espiritualidade do Cotidiano” (Encontro da Luz, 2002). Este é superior, mas dá continuidade à obra de um dos mais importantes pastores e místicos brasileiros contemporâneos, um autor que consegue congeminar, como poucos, o texto teórico e erudito com o texto prático e devocional.


6. Uma História Cultural de Israel. Júlio Paulo Tavares Zabatiero. Editora Paulus.


Os estudos do Antigo Testamento estão aqui representados pela obra ao mesmo tempo inovadora e didática de Júlio Zabatiero, possivelmente o mais importante biblista brasileiro hoje, que desde os anos 80 nos tem brindado com artigos e títulos de reflexão bíblica profunda e atual, entre os quais destacamos “Miqueias: Voz dos Sem-Terra” (Loyola, 2010). Recentemente veio à luz o excelente “Para uma Teologia Pública” (Fonte, 2012), uma das melhores introduções à mais relevante reflexão teológica da atualidade, que busca apresentar o papel da teologia na esfera pública, em prol da cidadania e da dignidade humana, nas questões sociais, políticas e econômicas. Em seu novo livro, Zabatiero expõe os processos de construção e transformação da identidade cultural do antigo Israel e expõe as principais controvérsias contemporâneas sobre o assunto. É obra indispensável para quem curte o Antigo Testamento.


7. A Grande Onda Vai Te Pegar: Espetáculo e Ciberespaço na Bola de Neve Church. Eduardo Meinberg de Albuquerque Maranhão Filho. Fonte Editorial.


Este tratado sociológico imparcial e equilibrado nos apresenta um retrato de um dos maiores sucessos de mercado do mundo eclesiástico brasileiro, descrevendo suas estratégias de marketing, e traçando um perfil acurado de seus líderes e seus consumidores e frequentadores. O jovem Eduardo Maranhão já desponta como um dos mais brilhantes sociólogos da religião do Brasil. Especialista nas questões da sociedade da informação e do ciberespaço, também nos presenteou este ano com a organização da obra coletiva “Religiões e Religiosidade no Ciberespaço” (Fonte, 2013), quase tão relevante quanto seu próprio estudo, mais aprofundado, de uma das instituições religiosas que mais se aproveita das novas tecnologias para obter adeptos. A obra é importante para quem quer discutir o problema dos caminhos evangélicos eclesiais contemporâneos.


8. 25 livros que Todo Cristão Deveria Ler. Richard Foster & Dallas Willard. Editora Ultimato.


Pode parecer entranho incluirmos um texto de lista de livros em outra lista de livros. O fato é que aprecio o gênero, e que listas comentadas de livros são muito úteis, principalmente quando magistralmente executadas, como é o caso aqui. O teólogo e místico quaker Richard Foster (1945-) e o recém-falecido filósofo cristão Dallas Willard (1935-2013) são dois dos mais inteligentes e agradáveis autores cristãos norte-americanos do últimos tempos, e nesta obra, com sua seleção das 25 obras imperdíveis para cristãos em toda a história, nos ilustram acerca da riqueza, variedade e profundidade da história da literatura cristã, começando com Agostinho e Dante, passando por Pascal e Bunyan, e terminando com Dostoievski, Chesterton, Nowen e Thomas Merton. O livro é uma aula de história da literatura cristã como raras vezes encontrei. Os comentários são agradáveis e pertinentes, e os livros selecionados estão mesmo entre os mais importantes da história para pensadores cristãos, e o livro nos estimula a buscá-los, o que é excelente.


9. Entre a Cruz e o Arco-Íris. Marília de Camargo Cesar. Editora Gutenberg.


Não há outro tema mais complexo e urgente do que o da homoafetividade. A jornalista Marília Cesar, que já nos felicitou com o importante “Feridos em Nome de Deus” (Mundo Cristão, 2009) volta à carga, com esta obra que descreve, por meio de entrevistas, os meandros das controvérsias, das lutas e das aflições que cercam a existência dos cristãos gays. O livro já foi acusado de ser uma propaganda em defesa da aceitação da homossexualidade pela ética cristã, assim como já foi acusado de ser um texto homofóbico. Quem tem razão? Talvez isso seja uma indicação que a obra é moderada, e que tenta tratar do assunto com isenção jornalística. Devo a Zenon Lotufo Jr., figura ilustre e genial das ciências da religião no Brasil, a lembrança desta frase de Richard Foster: “A homossexualidade é um problema tão inflamável no momento dentro da comunidade cristã que tudo o que for dito será severamente criticado – e provavelmente por uma boa razão” (em “Dinheiro, Sexo e Poder”; Mundo Cristão, 2005). Sem dúvida, será uma contribuição crucial para pastores, conselheiros, psicólogos e filósofos cristãos interessados na questão. 


10. Teologia Arminiana: Mitos e Realidades. Roger E. Olson. Editora Reflexão.


Já há algum tempo que o calvinismo se tornou hegemônico no protestantismo histórico brasileiro, e passou inclusive a ganhar mais e mais adeptos nos campos pentecostais. Já sabemos, como esclareço em meu livro “O Lado Bom do Calvinismo” (Fonte, 2013), que se trata de um equívoco equalizar a tradição calvinista com um tipo específico de calvinismo, a saber, o calvinismo doutrinário ou nootético (ou noutético), um calvinismo racionalista defendido por ultraconservadores no Brasil, um calvinismo que talvez nem Calvino reconheceria. Que não sejam ignoradas outras formulações do calvinismo presentes na tradição, como o calvinismo de cosmovisão holandês, a filosofia reformacional de Dooyeweerd, a teologia dialética, o calvinismo barthiano, e o calvinismo coreano, entre outros. É bem-vindo este contraponto ao calvinismo escrito por uma das mentes mais lúcidas e competentes do mundo evangélico norte-americano, Roger Olson, autor também do polêmico “Contra o Calvinismo” (Reflexão, 2013), outra obra importante deste ano, no qual faz considerações críticas relevantes acerca dos chamados “cinco pontos” de Dort. Em “Teologia Arminiana”, Olson elucida uma série de dúvidas e questões frequentemente levantadas pelos alunos de teologia acerca de Armínio e do arminianismo, e desfaz mitos, apresentando a teologia arminiana como uma alternativa ortodoxa e bíblica ao calvinismo hegemônico e mais conhecido, ou seja, o que se sustenta nos pontos de Dort. O livro interessa tanto aos calvinistas quanto aos seus detratores, pois esclarece melhor as controvérsias e ajuda os teólogos brasileiros a compreenderem melhor este antigo debate, que, mesmo estando fora de moda na academia mundial, continua extremamente relevante no mundo evangélico brasileiro.


11. Zelota: A Vida e a Época de Jesus de Nazaré. Reza Aslan. Editora Zahar.


Este livro interessante e bem escrito, escrito a partir de uma perspectiva teológica liberal, merece a atenção do leitor cristão por ser uma afiada crítica à Bíblia e à teologia. Muitos obscurantistas insistem em afastar o leitor cristão de textos de teologia liberal, que teriam o poder de lhes arrebatar a fé. Isso é uma cretinice, infelizmente bastante frequente em nosso meio, principalmente entre os ambientes de tendência fundamentalista. O pensador cristão só amadurece quando aprende a enfrentar os mais severos e bem construídos argumentos contra a sua fé. Esta obra, entretanto, também instrui e alerta sobre uma faceta do ministério de Jesus que muitas vezes permanece obnubilado: o lado sócio-político e econômico do ensino e das ações de Jesus. Na tradição do clássico de Karl Kautsky, “A Origem do Cristianismo” (Civilização Brasileira, 2010) e antenado com a chamada “busca do Jesus histórico” de autores como Marcus Borg e Dominic Crissan (por exemplo, “A Última Semana”, Nova Fronteira, 2007), o livro é uma excelente fonte de ideias para a teologia pública e para a teologia da missão integral, o estudo de Reza Aslan merece atenção, mesmo se optarmos por rechaçar sua tese central, a de que Jesus foi eminentemente um jovem revolucionário que a tradição posterior transformou em manso pacifista e arauto de uma mensagem de acomodação.


12. A vida de C. S. Lewis: Do Ateísmo às Terras de Nárnia. Alister McGrath. Editora Mundo Cristão.


A publicação deste livro de McGrath, teólogo anglicano, um dos maiores pensadores calvinistas contemporâneos, foi uma boa homenagem aos 50 anos da morte de C. S. Lewis (1898-1963), um dos mais importantes autores cristãos do século XX. O livro conta a vida e a evolução intelectual de Lewis, e discute adequadamente sua rica produção literária, que inclui desde textos teológicos essenciais como “Cristianismo Puro e Simples” (Martins Fontes, 2009) até as conhecidas e amadas “Crônicas de Nárnia” (Martins Fontes, 2009) que falam das verdades do Reino de forma poética e com novas metáforas, expediente fundamental de toda boa reflexão cristã, e adição urgentemente necessária para a especulação teológica brasileira contemporânea, como ensina um dos maiores teólogos brasileiros contemporâneos, Alessandro Rodrigues Rocha, no seu imperdível “Teologia Sistemática no Horizonte Pós-Moderno” (Vida, 2007), sua tese de mestrado defendida no Seminário Batista do Sul, sob orientação do notável pastor presbiteriano Eduardo Rosa Pedreira. Nada melhor do que fechar este artigo com esta demonstração de que a teologia brasileira está chegando a um estágio louvável de maturidade. Nossa esperança nestes dias de Natal, tempo de esperança, é que a teologia brasileira continue assim: crítica, diversificada, criativa e, mesmo assim, fiel à Palavra Eterna.


• Ricardo Quadros Gouvêa é pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão (São Paulo) e professor do programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie.



Um homem para “um tempo como este”

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013


Tendo alcançado a significativa idade de 95 anos, foi em sua própria casa que ele veio a falecer. A mídia redirecionou suas matérias e personalidades mundiais modificaram suas agendas para prestar homenagem a este que foi, certamente, um dos maiores líderes do nosso tempo. Nelson Mandela foi um homem para o seu tempo, serviu a sua geração com grandeza e semeou no mundo uma mensagem de paz. Nelson Mandela morreu e já temos saudade de líderes como ele.

A vida de Mandela foi um mistério. Um surpreendente mistério! Não é fácil imaginar alguém sair de tantos anos de cárcere ininterrupto, radical e cruel como ele fez: com uma mensagem que visava a construção de uma nação, promovia esforços conciliadores em meio a uma sociedade violentamente dividida e recebia as pessoas com um sorriso nos lábios. Foi assim que Nelson Mandela, com mais de 70 anos de idade, saiu da prisão no dia 11 de fevereiro de 1990, depois de 27 anos preso. Um mistério carregado de graça, eu diria. A graça de Deus que moldou o seu coração e lhe deu entendimento para o tempo que ele vivia e o que dele se esperava. Nelson Mandela foi um presente de Deus para a África do Sul e para todos nós que tivemos o privilégio de ser inspirados pela sua estatura humana e a sua grandeza política. Ele foi um estadista da paz!

Eu não tive o privilégio de encontrá-lo pessoalmente, mas tive a oportunidade de recepcionar e escutar a sua atual esposa, Grace Machel. Num dos eventos que a Visão Mundial realizou na África do Sul, nós a ouvimos falar sobre o desafio de cuidar das crianças, especialmente das crianças pobres, no continente africano. Ela era, afinal, uma respeitada e confiável embaixadora da causa infantil e nós a recebemos com reverência, sabendo que ela tinha autoridade no que dizia. Ela também, assim como o seu esposo, tinha uma causa e um testemunho de vida dignos de serem recebidos com gratidão. Nós não somos tão famosos como Nelson Mandela nem como Grace Machel, mas a graça de Deus também quer nos dar uma causa pela qual vale a pena viver e morrer. Uma causa que busca a reconciliação das pessoas, a construção de uma nação mais justa e um cuidado para com as nossas crianças no objetivo de que elas possam florescer como Deus quer, para mencionar só alguns dos desafios que estão diante de nós hoje.

Hoje Nelson Mandela já não está entre nós e isso nos deixa mais pobres. Mas podemos estar certos de que não amanhecemos sem a graça de Deus, que o inspirou ontem e quer nos inspirar hoje. A graça de Deus nos alcança nos momentos e lugares mais difíceis, como o próprio Mandela experimentou, e nos leva a deixar a nossa vida ser marcada pela busca do perdão e da reconciliação, da justiça e da verdade, do amor e da esperança. E disso nós, que nos dizemos cristãos, deveríamos entender um pouco.

Valdir Steuernagel, pelo Conselho Gestor da Aliança Evangélica


"Eu sou um cristão agora!" Paul Walker

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

“Eu sou um cristão agora. As coisas que me deixaram louco enquanto eu crescia é como todo mundo fica procurando os erros das religiões diferentes da sua. As únicas pessoas que não entendo são os ateus. Eu pratico surfe e snowboard, estou sempre por perto da natureza. Olho para tudo isso e penso: ‘Quem pode acreditar que não existe um Deus? Tudo isso é um engano?’ Isso só me deixa chocado”.

Declaração da biografia oficial de Walker no IMDB - Christian Post


1# à 5# Zé Bruno - Já te disseram que você já é feliz?

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013










Josh Garrels

terça-feira, 3 de dezembro de 2013


É sempre um prazer compartilhar boas dicas. E é com muita felicidade que apresento a você que não conhece um músico de extremo talento e refinado gosto para compor e se expressar. Seu nome é Josh Garrels. A primeira vez que ouvi falar deste músico foi no site ElevArte. Sempre temos ecos de tantos que surgem no "States", mas pouquíssimo de cantores  que surgiram de maneira independente que consolidaram seu trabalho. 

De voz peculiar, Josh Garrels passou mais de uma década criando músicas que expressam compaixão, esperança, saudade, e libertação. Cultivando uma mistura de gêneros como folk e hip hop, a música de Garrels está intrinsecamente tecida em sua história de vida. No contexto está a família, fé, raízes e a comunidade em torno de sua obra.

Garrels faz ouvir a sua voz em um mundo onde sua música que fica no espaço entre acessibilidade, honestidade e luta, celebra o mistério da fé com autenticidade e coração. Em vez de alienar ouvintes, Garrels desafia na fé os fãs de todas as origens. Sua música continua crescendo de forma constante.

Muitas das canções no catálogo de Garrels evocar. Eu sempre tive uma profunda ligação com a floresta, campos e lagos. Eles de alguma forma me fazem sentir livre e atemporal, mas também corajoso e decidido diz Garrels. Seu pai era um andarilho ávido, e levava a família em caminhadas na mata.

“Durante toda a minha vida, quando eu estive no meio de uma crise pessoal, mágoa, ou necessidade espiritual, tenho ido à natureza para orar, pensar e até mesmo gritar e chorar. "

Desde o início de sua carreira, Garrels escolheu se auto gravar, mixar, produzir e distribuir registros sem gestão ou representação da indústria rótulo, a começar com as gravações de lo-fi Stonetree (2002), Underquiet (2003) e The sea in between (2006).

Em 2005, casou-se com Michelle em Indianápolis, onde o par viveu por quase três anos antes de se mudar para uma antiga casa de madeira em Eaton, Indiana. 

O último trabalho do cantor é um documentário chamado "The sea in between", em parceria. É fantástico. As músicas deste trabalho estão disponíveis para download por tempo limitado no site do NoiseTradeNão perca essa rica oportunidade.


Russel Crowe estrela NOAH de Darren Aronofsky

sexta-feira, 15 de novembro de 2013


A Paramount Pictures e a New Regency Productions recriam um Épico Bíblico. O vencedor do Prêmio da Academia® Russell Crowe interpreta Noé no longa dirigido por Darren Aronofsky (indicado ao Prêmio da Academia® por CISNE NEGRO) que será lançado em 2014.

Gostaria de agradecer a Paramount e a Regency por apoiarem o trabalho da minha equipe para dar nova vida ao épico bíblico. Estou feliz por ter Russell Crowe ao meu lado nesta aventura. É seu imenso talento que me ajuda a dormir à noite. Estou ansioso para me encantar com ele todos os dias - disse o diretor.


NOAH é uma adaptação da história bíblica da Arca de Noé. Em um mundo devastado pelos pecados humanos, Noé recebe uma missão divina: construir uma arca para salvar a criação do dilúvio que se aproxima. O roteiro foi escrito por Darren Aronofsky e Ari Handel e revisado pelo roteirista indicado ao Prêmio da Academia® John Logan (Gladiador, A invenção de Hugo Cabret).

Scott Franklin e Aronofsky da Protozoa Pictures, juntamente com Mary Parent da Disruption Entertainment, produziram o filme. A produção executiva do filme é de Ari Handel (Cisne Negro), Arnon Milchan da New Regency e Chris Brigham (A origem, Argo). Confira o Trailer Oficial.

Analfabetismo Político

terça-feira, 5 de novembro de 2013




"
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Bertolt Brecht


"
Não há nada mais político do que dizer que religião e política não se misturam.

Desmond Tutu



Status do Pr. Ed René Kivitz em sua página no Facebook
www.facebook.com/edrenekivitz

496 anos da Reforma Protestante - Bíblia Freestyle (Ariovaldo Jr.)

Quem sou eu?

quarta-feira, 23 de outubro de 2013


Quem sou eu?
_ perguntam-me constantemente _
Que no confinamento da cela
Sereno, alegre e firmemente,
Anda deito um fidalgo no palácio?


Quem sou eu?
_ perguntam-me constantemente _
Que aos carcereiros costuma,
Livre, amistoso e francamente,
Falar como quem comanda?


Quem sou eu?
_ perguntam-me constantemente _
Cujos dias de infortúnio
Impassível, risonho e orgulhosamente,
Suporta, como se acostumado a vencer?


O que dizem de mim eu realmente sou?
Ou sou somente o que eu mesmo sei de mim?
Intranquilo e ansioso e doente, um passarinho enjaulado
A Lutar por fôlego, com as mãos comprimindo a garganta,
A anelar por cores, flores, o cantar das aves,
A ter sede por palavras de benignidade, de proximidade humana,
A se agitar à espera de acontecimentos grandiosos,
A Tremer, em desalento, pelos amigos infindamente distantes,
Cansado e vazio no orar, no pensar, no agir,
Desmaio _ Disposto a me despedir de tudo?


Quem sou eu? Este ou aquele?
Serei hoje um, outra amanhã?
Ambos serei? Simultaneamente?
Um hipócrita perante os outros
E diante de mim mesmo, um débil desolado?
Ou há algo e mim que se assemelha ao exército derrotado
A Fugir na desordem da vitória já alcançada?


Quem sou eu?
Zombam de mim, tais solitárias indagações.
Seja quem eu seja, Tu sabes,
Ó Deus:
Eu sou Teu!



Dietrich Bonhoeffer foi pastor e teólogo luterano alemão. Seus conceitos mais influentes são "graça barata" e "cristianismo sem religião". Proibido pelos nazistas de falar em público ou escrever, tornou-se membro da resistência, ficou preso de 1943 a 1945 e foi executado sob acusação de traição. Este poema foi escrito enquanto se encontrava na prisão. 


Abandonar-se a providência

por Leonardo Carvalho


Diariamente estamos sujeitos a situações que fogem muitas vezes do controle. Existem inúmeros estudos em que o diagnostico é o adoecimento em massa da raça humana. As pessoas estão agitadas, ansiosas, depressivas. Estes implicam diretamente na qualidade de vida do homem. Há uma procura intensa por qualidade de vida, estrutura psíquica e material. Nós trabalhamos, lutamos, nos esmeramos por determinadas coisas que muitas vezes são fúteis e não trazem realmente o que precisamos.

Pude vivenciar tudo isso do escrevo aqui. Sentir na pele estes sintomas avassaladores. Procurei ouvir muita gente, pessoas que muitas vezes sofriam e vivenciavam os mesmos problemas que eu. É como pedir direção a cegueira. O que acontece não só comigo, mas com muita gente é que recorremos a pessoas e é aí que está o problema. O problema em si não consiste em pedir conselhos e ajuda. Só que nos lembramos de muitas pessoas e nos esquecemos de quem nos conhece por inteiro. Nos esquecemos daquele que sabe dos nossos conflitos existenciais. Das nossa manias mais estranhas, dos conceitos mais ocultos e das coisas que ninguém imaginaria.

Quando nos esquecemos de Deus é como se disséssemos: “Não confio em você!”, “Você não pode me ajudar!”. É como se negligenciássemos e virássemos as costas para a solução. É irônico como as vezes nos perdemos do foco do que realmente importa. Traçamos atalhos, trilamos novas rotas, mas o caminho para a solução continua lá, com placas de sinalização, outdoors e lâmpadas piscando. Em muito isso se dá muitas vezes porque sabemos que nos levará a reconhecer coisas que realmente não nos convém. Coisas que não estamos dispostos a abandonar.

Nada mais profundo e impactante é quando damos ouvidos a Deus. Inacreditável é quando percebemos que não é da maneira que imaginamos que a palavra é dita. Esperamos trombetas soando, anjos se revelando, barulho, estrondo. Mas quando escutamos, percebemos que é de maneira simples, suave e sutil que nos é pronunciado. É nas pequenas coisas que não refutamos por importante, que não damos credito ou valor. Me faz lembrar de uma música muito antiga que dizia: “Calmo, sereno e tranqüilo”.

Lindo é quando vemos desenrolar de maneira simples algo que achávamos impossível. Assim é como Deus age muitas vezes. Contra tudo o que temos como óbvio. Nosso problema é que queremos sistematizar determinadas coisas que são tão singelas. Queremos espiritualizar outras tão naturais. Fazemos tudo de maneira organizacional e política, nos esquecendo de que a mensagem daquele que nós chamou é simples e se evidencia na prática e não nos métodos estratégicos. Mensagem pela qual muitos insistem em se promover esquecendo-se se que são os frutos que realmente apontarão a vivência da mesma. Não serão o bens ou posses que demonstrarão o viver dessa mensagem, mas sim o ser. A vida condizente, o modelo demonstrado no falar, no trato e no viver. Ser é o bastante.

Abandonar-se a providência é ver o cuidado de Deus, sentir sua mão agindo em resposta a confiança firmada. É saber e reconhecer que não é por méritos alcançados, mas unicamente pela graça que um dia nos alcançou. É ver situações e circunstâncias sendo mudadas, barreiras desmoronando a presença de um Deus que faz tudo possível. Que prova ao homem que nunca será enquadrado em teologias ou taxado em dogmas humanos. É declarar que Ele é Deus todo poderoso, Conhecedor de todas as coisas e Senhor de tudo e de todos. Deus eterno, bondoso, provedor e misericordioso agora e pra sempre amém.

Coragem

segunda-feira, 30 de setembro de 2013


Paul Tillich

Nas pessoas que clamam ter uma fé inabalada, o farisaísmo e o fanatismo são frequentemente a prova infalível de que a dúvida provavelmente foi reprimida ou de fato ainda está atuando secretamente. A dúvida não é superada pela repressão, e sim pela coragem. A coragem não nega que a dúvida está aí; mas ela aceita a dúvida como expressão da finitude humana e se confessa, apesar da dúvida, àquilo que toca incondicionalmente. A coragem não precisa da segurança de uma convicção inquestionável. Ela engloba o risco, sem o qual não é possível qualquer vida criativa.



Necessidades e desejos, fantasias e vícios

terça-feira, 24 de setembro de 2013

por Simone Weil

O primeiro caráter que distingue as necessidades dos desejos, das fantasias ou dos vícios, e os alimentos das guloseimas ou dos venenos, é que as necessidades são limitadas, assim como os alimentos que lhes correspondem. Um avaro nunca tem ouro suficiente, mas para todo homem, se lhe derem pão à vontade, haverá um momento em que terá o suficiente. O alimento traz a saciedade. Acontece o mesmo aos alimentos da alma.


O segundo caráter, ligado ao primeiro, é que as necessidades se ordenam em pares de contrários, e devem combinar-se num equilíbrio. O homem precisa de alimento, mas também de um intervalo entre as refeições; precisa de calor e de frescura, de repouso e de exercício. Igualmente para as necessidades da alma.

Eu sou se você é

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

por Ed René Kivitz

Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama seu próximo tem cumprido a lei. Pois estes mandamentos: "Não adulterarás", "não matarás", "não furtarás", "não cobiçarás", e qualquer outro mandamento, todos se resumem neste preceito: "Ame o seu próximo como a si mesmo". O amor não pratica o mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento da lei. [Romanos 13.8-10]

O senso popular formado a partir da cultura ocidental confunde amor ao próximo com amor romântico, amabilidade social e ou simpatia cordial no contexto da amizade. A Bíblia Sagrada, entretanto, considera amor ao próximo um critério objetivo de relacionamento que transcende emoções, sentimentos e simpatias. Não é razoável, nem mesmo possível, legislar a respeito da subjetividade dos afetos. Mas é perfeitamente possível e necessário exigir padrões de comportamentos que não sejam sujeitos aos humores interiores ou diferenças próprias de contextos distintos em termos culturais, sociais e históricos. O mandamento do amor ao próximo, é, portanto, critério objetivo que se pretende para toda a humanidade justamente por afirmar uma verdade (ainda que axiomática) atemporal e universal.

Os filósofos judeus Rosenzweig, Buber e Levinás trataram dessa questão quando propuseram um tradução alternativa para a expressão “como a ti mesmo” que compõe o mandamento de amar ao próximo. Disseram que o correto seria “ama a teu próximo, ele é como tu”, ou ainda “ama a teu próximo, pois tu mesmo é ele”. O teólogo e economista alemão radicado na América Latina, Franz Hinkelammert, acrescenta a essas traduções uma outra decorrente das anteriores: “eu sou se você é”.

A tradição africana usa a expressão ubuntu para identificar essa tradução do princípio do amor ao próximo. Ubuntu é uma palavra usada pelos povos Bantos, nas línguas zulu e xhosa, e pode ser traduzida mais ou menos como “sou o que sou pelo que nós somos”. Desmond Tutu, arcebispo anglicano na Africa do Sul, diz que “uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível aos outros, não preocupada em julgar os outros como bons e maus, e tem consciência de que faz parte de algo maior e que é tão diminuída quanto seus semelhantes que são diminuídos ou humilhados, torturados ou oprimidos”. Faz sentido dizer que uma pessoa com ubuntu também se reconhece honrada e respeitada em sua dignidade sempre que seus semelhantes assim são reconhecidos e respeitados.


A maturidade espiritual implica olhar o próximo não como um outro em oposição, diferenciação e competição, pois “ele é como tu” e “tu mesmo és ele”, e assim como ele é somente quando você é, também você somente é quando ele é. O que assim não é, está aquém do amor e portanto estranho a Deus, pois Deus é amor.

O falso meio

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

por Norma Braga

Percival Puggina conta nesse artigo que o apresentador de tv Pedro Bial, depois de resumir todas as situações de perversão sexual que haviam passado por aquele episódio de seu programa, convidou os telespectadores a também quebrarem os limites do casamento com uma frase:


- Que tal ser fiel ao desejo?

Tratei do que ocorre quando o prazer é alçado à categoria de valor preponderante numa sociedade em meu livro A mente de Cristo. Não é disso que quero falar, mas imaginar aqui três reações possíveis ao convite.

Na primeira reação, o telespectador concorda com Bial e pensa, satisfeito: "Eu já sou fiel ao desejo." Ainda que ele esteja em uma relação monogâmica, em um casamento estável, caso pense que está ali só por ser "fiel a seu desejo", acabou de glorificar o prazer em seu coração, confirmando mais uma vez uma das maiores idolatrias socialmente partilhadas de nossa época.

Em oposição frontal a ele, na segunda reação que imagino, outro telespectador pensa: "Eu sou fiel a Deus em primeiro lugar. Meu desejo é pecaminoso e me levará para onde nem eu vou querer ir. Deus me transformou para que eu pudesse colocar a vontade Dele, revelada em Sua Palavra, em primeiro lugar na minha vida. É por isso que não traio minha esposa." Esse, pelo menos nesse aspecto específico, confirma a adoração ao único Deus.

Mas haverá aquele que parecerá "entre" ambas as reações, ao exclamar mentalmente: "Esse negócio de ser fiel ao desejo é bobagem. Puro subjetivismo. Para tudo há limites. A pessoa precisa manter o casamento, ter autocontrole e não trair."

É a este que me dirijo agora: amigo conservador, não existe "autocontrole". Assim como não existe essa posição mediana em que você pensa se situar. Se você não está agora mesmo se esbaldando em uma relação fora do casamento e fora de todo padrão, não é porque conseguiu se controlar, mas porque, de alguma forma, Deus não permitiu que você participasse do culto ao prazer acima de tudo. Reconheça isto, seja humilde e grato, pois Ele pode nos livrar das loucuras coletivas, mesmo quando não O vislumbramos em nosso horizonte. Fazendo assim, quem sabe também não se libertará das inúmeras outras idolatrias que você tem acalentado, ocultas ou não, ao conhecer o único Deus verdadeiro, o único que pode debelar, em nós, todo tipo de mal.

Norma Braga Venâncio É doutora em literatura francesa pela UFRJ e mestranda em teologia filosófica pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. Desde 2005, escreve em seu blog (www.normabraga.blogspot.com) sobre cosmovisão cristã, teologia, arte e política. É casada com André Venâncio e reside atualmente em Natal.

Tratamento de dependentes de crack une ciência e religião

domingo, 28 de julho de 2013


São 7h e o som grave de um pequeno sino metálico ecoa na chácara de 30 mil metros quadrados da Conquista, uma comunidade terapêutica para dependentes químicos em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. É do instrumento a função de alertar os 48 homens, moradores da chácara, que o momento é de acordar e, em seguida, de arrumar as camas.

A droga mais consumida por essas pessoas é o crack. Muitos deles já foram presos por terem praticado crimes com o objetivo de conseguir dinheiro para o vício. Eles passam agora por um tratamento de nove meses em uma comunidade terapêutica -espaços com foco na reinserção social e no exercício da espiritualidade. Todos estão lá voluntariamente. Esse tipo de comunidade tornou-se a "arma" do governo de São Paulo para tentar vencer a luta contra o crack. Muitas delas serão credenciadas para atender dependentes do programa Recomeço, lançado neste mês. Uma das frentes do projeto é a "bolsa anticrack" que dará R$ 1.350 mensais a essas instituições por paciente atendido.

A reportagem da Folha ficou "internada" entre a noite de quarta (15 de maio) e a tarde de sexta (17) na comunidade evangélica Conquista, com o consentimento da direção. O objetivo era conhecer os pacientes e o dia a dia do tratamento, marcado pelo badalar do pequeno sino metálico. O instrumento toca ao menos oito vezes ao dia para alertar o início de cada atividade a ser realizada. Depois do café da manhã, eles devem: recitar o mantra "só por hoje"; fazer um Inventário Moral Diário, onde falam sobre seus defeitos; almoçar; praticar laborterapia; lanchar e jantar. Duas vezes por dia, recebem medicamentos. 

A depender do dia, algumas atividades são substituídas por terapia individual, em grupo e uma reunião onde praticam os "12 passos", princípio do grupo AA (Alcoólicos Anônimos), cujas bases foram adaptadas ali em uma bíblia evangélica. Também há reuniões religiosas. Os horários rígidos têm razão de ser: ensiná-los a viver em um mundo de regras, muitas delas esquecidas durante o consumo da droga. Ali, eles são chamados de "alunos". O descumprimento das normas pode custar a ligação semanal para a casa ou a visita quinzenal da família. Muitos, no entanto, não se adaptam ao novo mundo. Dos 48 que estão ali, só 24 devem completar os nove meses do tratamento, estima a direção. Desses, seis devem voltar a consumir drogas em um prazo de um ano.

por Talita Bedinelli & ​Apu Gomes

Novas velhas perspectivas

quinta-feira, 25 de julho de 2013



Ouvi certa vez que ir ao Mc Donald's não faz de nós hambúrgueres, assim como ir à igreja não faz de nós cristãos. Bom, isso é um fato. É tão lógico que, mesmo sendo meramente racionais conseguimos compreender. O problema é que muitos não enxergaram essa realidade. Cada vez mais pessoas fantasiam um mundo de ilusões dentro das quatro paredes. Vivendo uma vida de meritocracia, trocas e barganhas, muitos se dão por convencidos que agindo de tal forma estão cumprindo seu papel para herdar a vida eterna. O que faz com que templos espalhados pelo Brasil se abarrotem de pessoas pagando sua sina dominical, firmando sua parte no “trato”.

A questão em si não é muito complexa, já que conseguimos mensurar a crescente e maçante ordem evangélica que cresce cada vez mais em nosso país. Para muitos isso é sinal de vitória, mas quando começamos a avaliar sistematicamente este evento, o que vemos é que muitos vieram buscar um bom investimento a curto prazo. Nesse ponto chegamos à conclusão de que o que tem sido pregado não é a mensagem da cruz, e sim a oferta do que muitos almejam alcançar. E isso é fato porque as bases da fé cristã foram esquecidas por um medíocre apelo material.

O que o precisa mudar urgentemente é nossa perspectiva de ser cristão. Quando Lucas relata em atos 11.26 sobre o acontecimento dos discípulos serem chamados de cristãos pela primeira vez, isso não se deu por mera denominação, mas pelo que cada um deles trazia a memória das pessoas; o próprio Cristo. Para aqueles que não o viram nem o ouviram, o vislumbre de atos sem precedentes. Eram semelhantes ao próprio Cristo. No seu falar e agir eles exprimiam a essência do Mestre. O termo cristão não foi lhes dado por fazerem parte da mesma ordem ou movimento, e sim por viver cada preceito daquele que lhes comunicou. 

O que precisa ser revisto é que nossas atitudes farão diferença em nossa sociedade e não nossos títulos. A perspectiva a respeito da igreja no Brasil só mudará quando todos enxergarem sinais legítimos de integridade, consciência e seriedade. Nosso papel como cristãos vai além de reuniões clichês no templo. Deve ser revelada em nossas rotinas, no cotidiano da nossa sociedade. A vida cristã carece de informalidade, de comunhão com os necessitados, com os marginalizados que estão a mercê de seus vícios e desilusões. Ir à igreja para muitos é ir à igreja. Mas para aqueles que se encontraram com o Cristo da Igreja, ir à igreja não é mais rotina, pois eles compreenderam que eles são a igreja. Compreenderam com o próprio Cristo que devemos estar dispostos ir até onde ele foi para anunciar as boas novas. Essa é a minha nova, mas tão velha perspectiva.



LEONARDO CARVALHO é blogueiro e autor do Reformando Conceitos. Esposo da Cláudia (com quem escreve no e a gente se encontrou), pai da Tábata. Também é colaborador do Blog Apologetas. É músico e compositor. Formado em Teologia Ministerial no Seminário Vida Nova, cursa o bacharelado na FBMG. É membro da PIB Nova York em Belo Horizonte (MG).

Diagnóstico de Calamidade!

sexta-feira, 5 de abril de 2013


Nos últimos dias tem se alastrado em muitos estados brasileiros uma epidemia de dengue. Já são mais de 65.000 pessoas infectadas. E como intocáveis, sempre acompanhamos esses fatos pela TV e imaginando nunca estar sujeitos aos mesmos. Nesses últimos dias testemunhei a situação calamitosa da saúde pública. Minha esposa contraiu a doença e foi parar em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Belo Horizonte com suspeita de dengue hemorrágica.

Tudo começou com dores nas articulações e na cabeça na tarde de terça. Na quarta pela manhã levantou cedo para o acolhimento no Centro de Saúde. Precisamente as 11:30 recebemos uma ligação do Centro de Saúde solicitando um acompanhante, pois ela foi diagnosticada com a doença e precisava ser encaminhada a UPA de Venda Nova com urgência. Preocupado desci às pressas ao Centro de Saúde. Ao chegar me deparei com minha esposa desesperada, após ser diagnosticada com a doença e com suspeita de um agravamento no quadro.

A auxiliar de enfermagem que nos acompanhava ligou duas vezes para a UPA, pois, a ambulância estava 3 horas atrasada. Cheguei ao Centro de Saúde perto das 12:00 e a ambulância só foi enviada as 15:15. Ao saírmos do centro de saúde, um amigo muito querido que trabalha há nove anos na unidade me disse nunca ter visto tamanho reboliço por causa da epidemia. Fomos acompanhados por uma auxiliar de enfermagem até a UPA. Ao chegarmos, ela foi providenciar a ficha do encaminhamento do Centro de Saúde a UPA.

Após 30 minutos, fomos chamados para a sala de classificação de risco. Meu espanto é que o enfermeiro fez perguntas sem nenhum conhecimento do caso da minha esposa. Ao nos encaminhar ao interior da unidade, a responsável pela portaria me pediu a ficha. Ela surpresa pergunta a minha esposa Cláudia se seu nome era Getúlio de 37 anos. Parece piada mas trocaram as fichas e acabaram transcrevendo o prontuário da minha esposa para a ficha do Getúlio. Pensei comigo: “Coitado do Getúlio! ”

No interior da unidade, nos encaminharam a um determinado setor. Meia hora depois, uma enfermeira nos informou que o local não era ali. Lá fomos nós para local designado. Pela demanda foi montado um centro provisório para diagnóstico e tratamento. Parecia uma gaiola em situação precária. Com a chuva forte os assentos estavam molhados e a única coisa que nos separava do estacionamento era uma grade. Vazamentos no teto e goteiras no cabeamento de tomadas elétricas eram coisas que os profissionais do local lidavam com naturalidade.

Aguardamos quase uma hora e nem sinal de atendimento. Ao perguntar, pasmo descobri que a ficha da minha esposa não estava lá, tinha sido perdida. Minutos depois descobriram que a ficha tinha ido para a administração. Quando encaminhada ao setor de atendimento onde estávamos, o mesmo enfermeiro que havia feito a classificação de risco estava lá e inacreditavelmente desconhecia novamente o quadro de minha esposa mesmo diante do prontuário e o encaminhamento do Centro de saúde. Voltamos para aguardar de novo. Com o soro totalmente escoado e o sangue coagulado no tubo tentamos várias vezes conseguir um novo, mas muitos estavam trocando de turno e a prioridade agora não era o atendimento e sim ir embora.

As 20:00 aos trancos fomos atendidos pelo médico, que pediu um hemograma que iria descartar um quadro mais grave. As 21:15 o sangue foi coletado e recebemos o resultado só as 23:30. Após liberados finalmente a Cláudia foi medicada, pois não tinha sido ainda. Essa foi a recomendação da médica que a atendeu ainda no Centro de Saúde. Disse que se a medicasse ali, não seríamos atendidos com urgência na UPA. E após 8 longas horas suportando muitas dores pôde finalmente ter um certo alívio.

Acho que por escrever muitos artigos de maneira crítica possa gerar um certo tom de desconfiança e exageros nos relatos dos fatos ocorridos. Mais infelizmente, essa foi a mais pura e cristalina realidade do que vivemos. Meu objetivo com este post não é transcrever auto piedade, pois havia dezenas e dezenas de pessoas em estado crítico e o que vivemos foi muito pouco em relação ao que eles enfrentaram para serem atendidos, diagnosticados, examinados e medicados. Meu objetivo é mostrar o que testemunhei atônito em cada terrível detalhe.

Pude ver o caos em que se encontram os centros especializados e o despreparo de muitos profissionais da área. Muitos foram educados, profissionais e prontos a ajudar, mas a maioria nos respondia de maneira áspera coisas das quais nem havíamos perguntado. Muitos estavam já armados a qualquer esboço de diálogo com a situação em que nos encontrávamos. E como tais, empunhados com um escudo de indiferença as necessidades de muitos que precisavam de atenção e humanidade. Muitos destes funcionários (afirmo com certeza) não foram equipados, muito menos treinados para lidar com tamanha situação. Sem condições mínimas de estrutura, era o que podíamos ver de maneira escancarada nos gestos desorganizados e ineficientes dos serviços.

Pela manhã assistia uma entrevista do Prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda. A grande preocupação era acabar com a epidemia por causa dos jogos da Copa das Confederações que a cidade irá sediar. Foi revoltante ouvir isso de manhã. A noite naquele contexto vivenciado, não dava para conceber tão mesquinho comentário. Tudo que penso é no que muitos irão passar ou no que muitos estão passando agora. Sem a menor condição de planejar e prevenir, a população é levada a ilusão de uma gestão atuante e eficiente da Prefeitura, vendidos por comerciais milionários, cheios de promessas e resultados manipulados, ausentes de realidade. Realidade vivenciada somente pelos pobres, que de gestão a gestão estão sempre à mercê de uma saúde precária com a pífia desculpa de que em todo lugar é assim.

Bom, a Cláudia para a glória de Deus está se recuperando, já quem está à mercê de cuidados, minha oração é que Deus tenha misericórdia e traga alívio em meio ao desconforto da doença. Sem meias verdades, doa a quem doer.



LEONARDO CARVALHO é blogueiro e autor do Reformando Conceitos. Esposo da Cláudia (com quem escreve no e a gente se encontrou), pai da Tábata. Também é colaborador do Blog Apologetas. É músico e compositor. Formado em Teologia Ministerial no Seminário Vida Nova, cursa o bacharelado na FBMG. É membro da PIB Nova York em Belo Horizonte (MG).

Sem fiéis, igreja alemã coloca templos à venda

domingo, 31 de março de 2013


Vende-se uma igreja por € 135 mil (R$ 350 mil). Quem está à procura de uma capela pode conseguir uma por € 20 mil (R$ 51 mil). Essas ofertas são da arquidiocese de Berlim, que tenta há semanas se desfazer de templos que estão órfãos de fiéis. 

Com a Igreja Evangélica alemã não é diferente. Os evangélicos criaram um site para divulgar a oferta de 170 templos e 140 terrenos. De 1990 a 2010, 340 templos evangélicos foram fechados no país, segundo o diário espanhol "El País".

Embora a Igreja Católica tenha sido liderada recentemente por Bento 16, alemão, 400 templos foram fechados apenas em 2011, segundo a Conferência Episcopal daquele país. O índice de alemães católicos e evangélicos caiu 10% e 17%, respectivamente, desde os anos 1990.

Polêmica

Uma igreja evangélica na cidade de Hamburgo, vendida no final do ano passado por falta do comparecimento de fiéis, agora está nas mãos do islã. O negócio acabou com a convivência pacífica entre cristãos e muçulmanos na cidade. Na semana passada, cerca de 300 neonazistas iniciaram protestos contra seguidores do islã. A polícia teve de intervir para evitar uma briga religiosa.

por Folha de São Paulo

Chorar com os que choram

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013


Na madrugada de hoje, 27 de janeiro, em Santa Maria – RS, o Brasil testemunhou a segunda maior tragédia por incêndio de sua história. Já são mais de 231 mortos e dezenas de feridos. Muitos destes em estado grave. Neste momento de dor, luto e perplexidade, aflora um sentimento de compaixão e misericórdia por cada familiar e sobrevivente. É momento de orarmos, clamarmos a Deus. É tempo de solidariedade, de nos importamos com gente.

O que causa espanto, é que em muitos templos brasileiros, não ouve nenhum clamor, nenhum sentimento de piedade. Não ouve lamento, muito menos amor. Mas ouve julgamentos, sentenças dadas sem o menor respaldo e pudor. É inconcebível que em uma circunstância tão adversa quanto essa, muitos estão procurando maldições, procurando justificar o ocorrido como uma resposta divina aos pecados cometidos por aqueles jovens. Tentando encontrar justificativas para o fato ocorrido. Trazendo medo diante da imagem criada de um “deus” carrasco que puni e mata sem nenhuma piedade.

Fez lembrar os amigos de Jó. Elifaz, Bildade e Zofar pelo menos prestaram a Jó solidariedade. Choraram, rasgaram seus mantos e se prostraram em terra por não terem nem reconhecido quando o viram de longe. Diante de tamanha desgraça ocorrida, prantearam toda aquela situação. Só que logo após, os mesmos começaram a investigar a vida do amigo para encontrar o pecado que fez com que caísse sobre Jó tamanha Tragédia. O próprio Jó chega a entrar em crise e conflito, pois, assim como os seus amigos, também cria na lei da retribuição. Deus oprime o ímpio e dá graça ao justo. Mas o mesmo era justo e reto, que se desviava do mal. O próprio Deus afirmara isso. Jó começa a olhar para tudo o que lhe cercava e conclui que o ímpio também prosperava e sua descendência se estabelecia. Jó cobra Deus uma resposta, pede que lhe aponte seu pecado. Só que Deus não se manifesta. Sua agonia cresce e o próprio Deus vem até Jó e se manifesta. Só que Deus não responde a nenhuma das indagações de Jó, mas faz perguntas a Jó e lhe pede resposta. “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Conta-me, se tens entendimento".

É muito bom podermos ouvir Deus, sentir seu alento e resposta. Mas ficamos sem chão quando nos deparamos com o silêncio. Muitas vezes nos pronunciamos pelo próprio Deus e cometemos pecado trazendo juízo sobre coisas das quais não temos a menor estrutura para entendermos. Deus continua soberano e seu propósito será estabelecido.

Reconhecendo a grandeza do evangelho de Cristo e o que nos imputa o professarmos, devemos viver de modo digno, tendo o mesmo sentimento que houve em Cristo. Ele se importava com gente. Gente pobre, necessitada e excluída da sociedade. Se importava com o injustiçado, com o rico, com o publicano. Veio para os doentes. Se importava com vida, se solidarizava com os dramas humanos. Pranteou o amigo Lázaro. Tenhamos a mesma compaixão e misericórdia pela alma arrasada de cada familiar. É tempo de chorar com os que choram.



LEONARDO CARVALHO é blogueiro e autor do Reformando Conceitos. Esposo da Cláudia (com quem escreve no e a gente se encontrou), pai da Tábata. Também é colaborador do Blog Apologetas. É músico e compositor. Formado em Teologia Ministerial no Seminário Vida Nova, cursa o bacharelado na FBMG. É membro da PIB Nova York em Belo Horizonte (MG).
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