Chorar com os que choram

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013


Na madrugada de hoje, 27 de janeiro, em Santa Maria – RS, o Brasil testemunhou a segunda maior tragédia por incêndio de sua história. Já são mais de 231 mortos e dezenas de feridos. Muitos destes em estado grave. Neste momento de dor, luto e perplexidade, aflora um sentimento de compaixão e misericórdia por cada familiar e sobrevivente. É momento de orarmos, clamarmos a Deus. É tempo de solidariedade, de nos importamos com gente.

O que causa espanto, é que em muitos templos brasileiros, não ouve nenhum clamor, nenhum sentimento de piedade. Não ouve lamento, muito menos amor. Mas ouve julgamentos, sentenças dadas sem o menor respaldo e pudor. É inconcebível que em uma circunstância tão adversa quanto essa, muitos estão procurando maldições, procurando justificar o ocorrido como uma resposta divina aos pecados cometidos por aqueles jovens. Tentando encontrar justificativas para o fato ocorrido. Trazendo medo diante da imagem criada de um “deus” carrasco que puni e mata sem nenhuma piedade.

Fez lembrar os amigos de Jó. Elifaz, Bildade e Zofar pelo menos prestaram a Jó solidariedade. Choraram, rasgaram seus mantos e se prostraram em terra por não terem nem reconhecido quando o viram de longe. Diante de tamanha desgraça ocorrida, prantearam toda aquela situação. Só que logo após, os mesmos começaram a investigar a vida do amigo para encontrar o pecado que fez com que caísse sobre Jó tamanha Tragédia. O próprio Jó chega a entrar em crise e conflito, pois, assim como os seus amigos, também cria na lei da retribuição. Deus oprime o ímpio e dá graça ao justo. Mas o mesmo era justo e reto, que se desviava do mal. O próprio Deus afirmara isso. Jó começa a olhar para tudo o que lhe cercava e conclui que o ímpio também prosperava e sua descendência se estabelecia. Jó cobra Deus uma resposta, pede que lhe aponte seu pecado. Só que Deus não se manifesta. Sua agonia cresce e o próprio Deus vem até Jó e se manifesta. Só que Deus não responde a nenhuma das indagações de Jó, mas faz perguntas a Jó e lhe pede resposta. “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Conta-me, se tens entendimento".

É muito bom podermos ouvir Deus, sentir seu alento e resposta. Mas ficamos sem chão quando nos deparamos com o silêncio. Muitas vezes nos pronunciamos pelo próprio Deus e cometemos pecado trazendo juízo sobre coisas das quais não temos a menor estrutura para entendermos. Deus continua soberano e seu propósito será estabelecido.

Reconhecendo a grandeza do evangelho de Cristo e o que nos imputa o professarmos, devemos viver de modo digno, tendo o mesmo sentimento que houve em Cristo. Ele se importava com gente. Gente pobre, necessitada e excluída da sociedade. Se importava com o injustiçado, com o rico, com o publicano. Veio para os doentes. Se importava com vida, se solidarizava com os dramas humanos. Pranteou o amigo Lázaro. Tenhamos a mesma compaixão e misericórdia pela alma arrasada de cada familiar. É tempo de chorar com os que choram.



LEONARDO CARVALHO é blogueiro e autor do Reformando Conceitos. Esposo da Cláudia (com quem escreve no e a gente se encontrou), pai da Tábata. Também é colaborador do Blog Apologetas. É músico e compositor. Formado em Teologia Ministerial no Seminário Vida Nova, cursa o bacharelado na FBMG. É membro da PIB Nova York em Belo Horizonte (MG).
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