O falso meio

By Leonardo Carvalho - segunda-feira, agosto 12, 2013

por Norma Braga

Percival Puggina conta nesse artigo que o apresentador de tv Pedro Bial, depois de resumir todas as situações de perversão sexual que haviam passado por aquele episódio de seu programa, convidou os telespectadores a também quebrarem os limites do casamento com uma frase:


- Que tal ser fiel ao desejo?

Tratei do que ocorre quando o prazer é alçado à categoria de valor preponderante numa sociedade em meu livro A mente de Cristo. Não é disso que quero falar, mas imaginar aqui três reações possíveis ao convite.

Na primeira reação, o telespectador concorda com Bial e pensa, satisfeito: "Eu já sou fiel ao desejo." Ainda que ele esteja em uma relação monogâmica, em um casamento estável, caso pense que está ali só por ser "fiel a seu desejo", acabou de glorificar o prazer em seu coração, confirmando mais uma vez uma das maiores idolatrias socialmente partilhadas de nossa época.

Em oposição frontal a ele, na segunda reação que imagino, outro telespectador pensa: "Eu sou fiel a Deus em primeiro lugar. Meu desejo é pecaminoso e me levará para onde nem eu vou querer ir. Deus me transformou para que eu pudesse colocar a vontade Dele, revelada em Sua Palavra, em primeiro lugar na minha vida. É por isso que não traio minha esposa." Esse, pelo menos nesse aspecto específico, confirma a adoração ao único Deus.

Mas haverá aquele que parecerá "entre" ambas as reações, ao exclamar mentalmente: "Esse negócio de ser fiel ao desejo é bobagem. Puro subjetivismo. Para tudo há limites. A pessoa precisa manter o casamento, ter autocontrole e não trair."

É a este que me dirijo agora: amigo conservador, não existe "autocontrole". Assim como não existe essa posição mediana em que você pensa se situar. Se você não está agora mesmo se esbaldando em uma relação fora do casamento e fora de todo padrão, não é porque conseguiu se controlar, mas porque, de alguma forma, Deus não permitiu que você participasse do culto ao prazer acima de tudo. Reconheça isto, seja humilde e grato, pois Ele pode nos livrar das loucuras coletivas, mesmo quando não O vislumbramos em nosso horizonte. Fazendo assim, quem sabe também não se libertará das inúmeras outras idolatrias que você tem acalentado, ocultas ou não, ao conhecer o único Deus verdadeiro, o único que pode debelar, em nós, todo tipo de mal.

Norma Braga Venâncio É doutora em literatura francesa pela UFRJ e mestranda em teologia filosófica pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. Desde 2005, escreve em seu blog (www.normabraga.blogspot.com) sobre cosmovisão cristã, teologia, arte e política. É casada com André Venâncio e reside atualmente em Natal.

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