O desânimo

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014


O desânimo não escolhe idade. Pode vir para todos. Vem para o jovem, que tem uma longa vida pela frente e talvez venha precisamente por isto. Vem para o idoso, que sente a crueza do seu fim e talvez venha fortemente por isto. Vem para a criança, feita toda de sonhos que não se tornam visíveis para ela.

O desânimo vem por causa de uma decepção, nem sempre percebida, com pessoas e causas. O tempo e o talento investidos, na amizade ou no ideal, soam como tempo e talento desperdiçados e como um aviso de que lutar não vale a pena. O desânimo vem em meio ao cansaço, esse ladrão de energia que usa diferentes disfarces para assaltar de surpresa. O desânimo vem por causa do sucesso. Havia um projeto que concentrava todos os esforço, noite e dia. O fim do projeto é o início do vazio. O desânimo é pluriforme em sua etiologia.

Não devemos nos desesperar por experimentar um período desanimado, mesmo que sejamos geralmente animados. Devemos nos preocupar se a condição se insinua como permanente. Devemos sempre ter diante de nós o que queremos para as nossas vidas. Precisamos saber que alguns de nossos desejos são voláteis por definição, como a fama, o poder e o dinheiro. Precisamos de coragem para dizer o que nos motiva a viver. Se essas são as nossas buscas, precisamos buscar outras, porque já sabemos o nosso destino com elas: o nada. Precisamos de criatividade para formular projetos bons, mas nós não somos nossos projetos. Nós os temos e somos maiores que eles. Nossa vida não acaba quando um projeto termina.

Se o desânimo se aninhou em nosso coração depois da vitória, talvez tenhamos posto o sentido de nossa vida na realização de um projeto. Não o realizamos? Devíamos nos sentir felizes. Missão cumprida é moto para a alegria. Se o desânimo se instalou por causa da frustração, sabemos que precisamos avaliar as origens do mal-estar e retomar nossos feitos para dificultar que ela nos retorne.

Se o desânimo é filho do cansaço, sabemos o que fazer. Por isto, mesmo Deus estabeleceu o dia do descanso. Até a terra precisa descansar. Não viemos da terra? Sobretudo, devemos manter aceso nosso senso de relevância. Esta é a decisão matricial. Temos muito ainda para ser. Ainda não somos o que podemos ser. Há mais para nós. Não importa o que conquistamos.

Temos muito ainda para fazer. Ainda não fizemos o que podemos fazer. Há mais para nós. Não importa a nossa idade. Temos muito ainda a contribuir. Ainda não entregamos tudo o que podemos. Há mais para os outros a partir de nós. Não importa o quanto tenhamos ajudado. O mundo (nossa família, nossa rua, nossa trabalho, nossa comunidade, nosso corpo, nossa mente) pode ser melhor. É o que queremos? Viver num mundo melhor seja o nosso desejo. Viver para um mundo melhor seja a nossa ideologia. Prossigamos. 


Israel Belo de Azevedo é pastor da Igreja Batista Itacuruçá, no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, desde 1999. Trabalhou no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, onde foi professor e reitor e na Visão Mundial. Mestre em teologia e doutor em filosofia, é o principal articulador do site PRAZER DA PALAVRA.

Morre, aos 81 anos, o padre João Batista Libânio


Vítima de um infarto, o padre jesuíta, João Batista Libânio, faleceu na manhã de hoje, 30, em Curitiba (PR). O sacerdote foi assessor da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e colaborador no Instituto Nacional de Pastoral e em comissões episcopais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Padre Libânio, como era conhecido mundialmente, dedicou-se aos estudos teológicos, à ação pastoral e ao magistério durante anos. Foi autor de mais de 125 livros.


Na arquidiocese de Belo Horizonte (MG) contribuía com artigos e textos para o Jornal de Opinião e Notícias Digital, nos quais escrevia na coluna “O olhar do teólogo”. Padre Libânio dizia que “nada faz o ser humano ser tão feliz como colaborar no crescimento interior e espiritual das pessoas".

Trajetória
Padre Libânio estudou Filosofia na Faculdade de Filosofia de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, e  cursou Letras Neolatinas na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Foi professor de Teologia na Universidade do Vale do Rio dos Sinos, em São Leopoldo (RS) e no Instituto Teológico da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas). Posteriormente, foi professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Seus estudos de Teologia Sistemática foram concluídos na Hochschule Sankt Georgen, em Frankfurt, Alemanha, onde também estudou com os maiores nomes da Teologia europeia. Era mestre e doutor (1968) em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.
O jesuíta era professor na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia e vigário da paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Vespasiano.

Sobre a vida
Em entrevista ao Jornal de Opinião, em junho de 2002, por ocasião de seus 70 anos, padre Libanio falou sobre sua visão da vida: “A clareza e a serenidade não se medem pelo número de anos, mas pelo trabalho interior. A existência foi generosa comigo e permitiu-me que pudesse estar sempre à volta com análises, reflexões sobre a realidade social e eclesial”.

TALMIDIM 2014 - Tentação #5

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014


Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.
Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.
O tentador aproximou-se dele e disse: "Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras se transformem em pães".
Jesus respondeu: "Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’".
Então o diabo o levou à cidade santa, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse:
"Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui para baixo. Pois está escrito: ‘Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, e com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra’".
Jesus lhe respondeu: "Também está escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus’".
Depois, o diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor.
E lhe disse: "Tudo isto lhe darei, se você se prostrar e me adorar".
Jesus lhe disse: "Retire-se, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu Deus e só a ele preste culto’".
Então o diabo o deixou, e anjos vieram e o serviram.


Mateus 4:1-11

Toda mudança social que você não aprova é comunismo

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014


Manifestantes brancos, erguendo cartazes que dizem “miscigenação racial é comunismo” (e ‘a marcha do Anticristo’), protestam contra a admissão de nove estudantes negros numa escola média (previamente exclusiva para brancos) em Little Rock, Arkansas. 20 de agosto de 1959.
Para posição semelhante, de quem (também) estava convicto de ter a Bíblia do seu lado, leia Appoio Moral (1926)“Esta ultima manifestação do desequilíbrio feminino – de cortar os cabelos – é das piores e das mais significantes [...] Não deixa de ser um revolta, uma espécie de bolchevismo feminino.”



PAULO BRABO | Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. Meu livro mais recente, que você deve desejar comprar, é As divinas gerações. Este documento está arquivado nA Bacia das Almas, mas hoje em dia escrevo antes de tudo na Forja Universal.

A vida fora do Gueto

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

por Leonardo Carvalho 


Sempre que ligamos a TV nos noticiários repletos de violência e corrupção temos a impressão de que algo precisa ser feito. Mas as providências nunca são tomadas. Os problemas sociais são encarados pelas lideranças governamentais com tamanho descaso, que chega a ser hilário as medidas adotadas. Recentemente o governo de São Paulo resolveu dar a cada viciado da Cracolândia R$ 15,00 pelos serviços prestados na limpeza da cidade. Um jornal on-line estampava a declaração de um usuário declarando que agora só iria comprar pedra da boa. É como se propor ajudar um suicida e colocar uma arma carregada em suas mãos.

O fato é que o problema irá persistir. Não serão atitudes embasadas em meras politicagens para se fazer média com mídia que farão o panorama degradante da sociedade atual ter uma melhora. É preciso se importar com gente e suas mazelas. Somente Cristo pode trazer norte nesse emaranhado de ações políticas frustradas. E este Cristo só pode ser apresentado através de gente que o ama. Gente que ama gente.

A questão é que muitos estão cegos demais para ver e surdos demais para ouvir o clamor social de dias melhores. É preciso entender que o Cristo salvador não se restringiu somente ao homem. Ele se importa com tudo o que o cerca. Nossa cultura do “jeitinho” precisa da sua justiça. Enquanto projetos como a Cristalândia lutam para sobreviver, a igreja no Brasil ainda não acordou para a urgência da vida fora do gueto.

A vida no gueto é boa. O conforto dos bancos acolchoados e a interatividade das diversas programações disponíveis nos deixaram alienados. No gueto por mais que os problemas surjam e as divisões aconteçam, ainda é bem melhor que a realidade nua e crua dos que clamam por misericórdia. Muitos tem se disposto a ir e sentir a flor da pele a vida fora do gueto. A estes Deus tem usado. Mas ainda há muitos que precisam ser desconectados da “Matrix” da religião. Os campos estão brancos e só gente que vive pelo Cristo pode iniciar essa revolução e trazer sentido aqueles que precisam de compaixão. Haddad e Alckmin não enxergarão isso.

Discípulos de quem ou de quê?

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014


Hoje, o evangelista Mateus nos prepara o terreno para o Sermão da Montanha que teremos não no próximo domingo, por causa do calendário que cai este ano num domingo, mas em duas semanas, e vai até a Quarta-Feira de Cinzas. Jesus deixa Nazaré onde José se estabeleceu no seu retorno do Egito e vai morar em Cafarnaum, na Galileia, a encruzilhada dos pagãos. O que quer dizer que a Boa Nova não é reservada a uma elite, para poucos; ela é para todas as mulheres e homens, inclusive para os pagãos e os excluídos. Vemos muito bem que se trata mais da missão cristã após a Páscoa do que do compromisso profético do Nazareno, segundo a leitura do evangelho deMateus.

1. Jesus e João Batista

No momento em que Mateus escreve seu evangelho havia uma disputa entre os discípulos de João Batista e os deJesus, para saber qual dos dois era o verdadeiro. Não é, por acaso, João que batiza Jesus? Jesus não era discípulo de João Batista? Era João ou Jesus o Messias? Mateus faz precisões:

1 - Não há concorrência entre Jesus e João Batista. Os dois estão de acordo; eles têm exatamente a mesma mensagem: “Convertam-se, pois o Reino dos Céus está próximo” (Mt 4,17). E o próprio João Batista o anunciou: “Eu batizo vocês com água para a conversão. Mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. E eu não sou digno nem de tirar-lhe as sandálias. Ele é quem batizará vocês com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3,11).

2 - Jesus toma, portanto, a frente de João Batista e é a prisão desse último que serve de sinal (Mt 4,12). Há, portanto, continuidade, mas também ruptura...

3 - Continuidade: preso, João é privado da palavra e é exatamente o momento em que Jesus toma publicamente a palavra. Também, João entra na prisão e Jesus sai às ruas. Não há interrupção. A missão de Jesus começa quando termina a de João Batista.

4 - RupturaJesus não recomeça João Batista; vai mais longe. Toma os seus caminhos. João Batista pregava no deserto; Jesus prega nas cidades. São pessoas de Jerusalém e da Judeia que vão ver João no deserto, isto é, os judeus mais fervorosos, os mais fiéis, os melhores discípulos da fé. Jesus, por sua vez, prega na Galileia, a encruzilhada das nações e a terra dos pagãos. O poder da Roma pagã instalou-se em Tiberíades, à beira do lago, ao lado de Cafarnaum onde se encontra JesusJoão foi ao deserto para encontrar Deus. Jesus nos diz que os verdadeiros desertos são as cidades. É no coração das cidades que deve bater o coração de Deus, porque as cidades são as pessoas; é o mundo. O deserto é vazio, a cidade é cheia de gente. A missão de Jesusé um povo, e o povo não mora no deserto, mas nas cidades e nos vilarejos. Não é, portanto, necessário ir ao deserto para encontrar Deus. É preciso ir ao mundo; é aí que Deus se encontra melhor. Ele mora com as pessoas, aí onde vivem as mulheres e os homens. Com Jesus passamos do monge do deserto ao padre operário e pastor da cidade.

5 - O cumprimento de uma palavra proféticaMateus precisa também que a missão de Jesus está confirmada no Antigo Testamento: “Assim se cumpre o que foi dito pelo profeta Isaías” (Mt 4,14), passagem que lemos na primeira leitura de hoje, e que foi lida na noite do Natal: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz, e uma luz brilhou para os que habitavam um país tenebroso” (Is 9,1). É evidente que para o profeta Isaías, tratava-se dos judeus deportados pelos assírios no oitavo século antes de Cristo, e a luz era o novo rei: Ezequias, filho de Acaz(que, infelizmente, não foi uma grande luz). Mas para Mateus, esse povo que caminha nas trevas são as nações, os pagãos que habitam a Galileia, e a luz, é o Cristo ressuscitado, o Messias, o novo rei.

Mas por que Mateus interpreta Isaías desta maneira, com tanta liberdade na sua atualização? A resposta é muito simples: Mateus dirige-se a cristãos que provêm, na sua maioria, da fé judaica e que acreditavam ter se enganado deMessias e de ter traído a fé dos seus antepassados, tornando-se pagãos... Citando o profeta Isaías, Mateus procura tranquilizá-los, dizendo-lhes que são fiéis à sua fé de origem. O que é fascinante nisso é a grande liberdade do evangelista Mateus em relação à Bíblia de seu tempo. Mateus faz nascer uma nova Palavra de Deus, ajustando um texto de Isaías à sua realidade e à realidade da sua comunidade cristã. Por que não podemos fazer isso hoje, sem sermos acusados de trair a Palavra de Deus?

2. Jesus e seus discípulos

O exegeta francês Jean Debruynne escreve: “Jesus está aí. Ele anda pelas ruas da cidade ou do vilarejo. Ele passa por onde vivem as pessoas. Ele passa pelo nosso coração”. E é justamente ao passar que ele nos vê: “Jesus andava à beira do mar da Galileia, quando viu dois irmãos: Simão, também chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam jogando a rede no mar, pois eram pescadores” (Mt 4,18), que ele nos interpela e nos convida a segui-lo: “Jesus disse para eles: ‘Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens’” (Mt 4,19). E como se dirige ao coração, passa pelo coração, a resposta é imediata: “Eles deixaram imediatamente as redes, e seguiram a Jesus” (Mt 4,20). E diz a mesma coisa para Tiago e João; também eles deixaram seu pai (Mt 4,21-22). A missão cristã começou; ela consiste, não somente em ensinar, em anunciar a Boa Nova, mas também convida à ação, a agir: “Jesus andava por toda aGalileia, ensinando em suas sinagogas, pregando a Boa Notícia do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo” (Mt 4,23). Não esqueçamos, sobretudo, que a doença e a enfermidade têm uma conotação de exclusão, de mal, de rejeição e de condenação.

3. Cristo e a Igreja

A Igreja nasceu deste encontro de mulheres e homens com o Cristo ressuscitado. Mulheres e homens que foram tocados no coração e que quiseram continuar a missão libertadora do Cristo Pascal. Mas atenção! Com o tempo, algumas pessoas, por causa dos seus talentos e do seu conhecimento, perderam de vista aquele que seguiram, isto é, o Ressuscitado. É o que Paulo denuncia, na segunda leitura de hoje. Na comunidade de Corinto há divisões por causa dos missionários do evangelho: “Eu me explico. É que uns dizem: ‘Eu sou de Paulo!’ E outros: ‘Eu sou deApolo!’ E outros ainda: ‘Eu sou de Pedro!’ Outros ainda: ‘Eu sou de Cristo!’” (1 Cor 1,12). Poderíamos continuar: “Eu sou de Lutero ou da Rainha da Inglaterra ou ainda do Papa de Roma. E Paulo continua: “Será que Cristo está dividido? Será que Paulo foi crucificado em favor de vocês? Ou será que vocês foram batizados em nome de Paulo?” (1 Cor 1,13) Se anunciamos o mesmo evangelho, se proclamamos a mesma ressurreição e se compartilhamos a mesma salvação para todos, por que as doutrinas são mais importantes que o Evangelho? Por que não conseguimos verdadeiramente viver a unidade de todos os cristãos (lembremo-nos da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos que começou na semana passada)?

Para fazer isso, basta que acolhamos as nossas diferenças e nos respeitemos mutuamente no Amor Agape. Recordemos simplesmente os valores humanos e cristão dos Evangelhos: o Amor, a Justiça, o respeito ao outro, a dignidade de todas as pessoas, o não julgamento, a partilha, o perdão, a reconciliação, a esperança, etc. Tenhamos a humildade de reconhecer a necessidade dos outros e a coragem de sair dos caminhos construídos ao longo da nossa tradição cristã e de tomar novos caminhos, inspirados no evangelho; novos caminhos que nos permitirão encontrar o Cristo hoje, ali onde vivem as pessoas e aí onde continua a pulsar o coração de Deus. Uma coisa é certa: devemos abandonar os nossos conhecimentos, as nossas certezas, as nossas riquezas e as nossas verdades feitas para seguir o Cristo hoje, assim como no tempo dos primeiros cristãos. É a única maneira de saber de quem ou de que somos discípulos hoje?

Pessoalmente, creio na possibilidade da unidade dos cristãos no dia em que todas as confissões cristãs, da Igreja católica romana às Igrejas evangélicas, passando por todas as denominações protestantes e as Igrejas ortodoxas não tiverem mais a certeza de possuir a verdade sobre Deus, mas trabalharem juntos, no respeito às suas diferenças, para restabelecer a justiça e devolver a dignidade a todos, sem nenhuma exclusão. Nesse dia, realizaremos sem dúvida o sonho de Cristo de chegar à unidade perfeita (Jo 17,23). Entretanto, não devemos esquecer que isso é assim não porque encontramos o Cristo, porque nos alimentamos da sua Palavra e porque Deus nos adquiriu uma vez por todas. Santo Agostinho disse: “É preciso buscar a Deus com o desejo de encontrá-lo e tendo-o encontrado, ter o desejo de ainda procurá-lo”


A reflexão é de Raymond Gravel, padre da Diocese de Joliette, Canadá, e publicada no sítio Réflexions de Raymond Gravel, comentando as leituras do 3º Domingo do Tempo Comum – Ciclo A do Ano Litúrgico (26 de janeiro de 2014). A tradução é de André Langer.

Referências bíblicas:
Primeira leitura: Is 8,23b-9,3
Segunda leitura: 1 Cor 1,10-13,17
Evangelho: Mt 4,12-23

Estupro coletivo de jovem incentiva transformação na Índia

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Mulheres buscam autodefesa, protestam contra impunidade e reivindicam mudança em país onde abusos são comuns

Gabriela Loureiro e Cecília Araújo

morte de uma estudante que foi estuprada e agredida por seis homens em Nova Délhi provocou protestos em todo o país e abriu o debate sobre por que a emergente Índia é o pior país do G20 (grupo de países em desenvolvimento) para ser uma mulher. O desrespeito contra as mulheres na Índia se manifesta já na concepção – o país tem uma das maiores taxas de infanticídio feminino do mundo – e é visto também em outras etapas da vida, por meio de crimes como o tráfico de jovens e o estupro – uma indiana é violentada sexualmente a cada 20 minutos, segundo dados oficiais.
“Casos emblemáticos de violência contra as mulheres, como o da Malala e o da jovem indiana, muitas vezes servem como espelho: fazem com que algumas pessoas que não prestavam atenção ao problema passem a enxergá-lo com mais clareza, inclusive em sua própria realidade. Porém, a comoção global sobre casos pontuais, amplamente divulgados pela imprensa, costuma ser fugaz e pouco aprofundada. Deve haver campanhas mais concretas para que o debate perdure", defende Emilio Ginés, presidente da organização espanhola Federación de Asociaciones de Defensa y Promoción de Derechos Humanos e membro do Subcomitê de Prevenção à Tortura da ONU.
Em 2011, 24.000 casos de estupro foram denunciados na Índia, 9% a mais do que em 2010. Em 94% dos casos, as vítimas conheciam seu agressor. O caso de Jyoti Singh Pandey chamou a atenção por aproximar a vítima a uma camada da população que tem acesso aos estudos e ao consumo. Uma jovem estudante de fisioterapia de 23 anos, que foi atacada dentro de um ônibus no centro da capital do país, quando voltava com um amigo de uma sessão de cinema – eles tinham ido assistir ao filme As Aventuras de Pi, indicado ao Oscar.
“Várias informações sobre a vítima vazaram, como o fato de que era uma estudante de fisioterapia. Isso fez com que muitas pessoas pensassem: poderia ser eu - e começassem a se preocupar e insistir por mudanças. O problema passou a ser visto como universal”, explica a escritora indiana Sonia Faleiro.
A negligência das autoridades e a impunidade foram os principais alvos de críticas dos protestos. “A recusa do estado de fazer seu trabalho e proteger os seus cidadãos é a raiz da fúria dos protestos na Índia”, disse ao site de VEJA a socióloga indiana Radhika Chopra.
Mudanças – Os manifestantes cobraram punições mais rígidas para os criminosos, em um país onde os processos se arrastam na Justiça. No começo de 2011, havia 95.000 casos de estupro esperando julgamento na Índia, sendo que somente 16% deles foram resolvidos até o final do mesmo ano. Dos que foram concluídos, somente 26% resultaram em uma condenação, de acordo com o Centro de Pesquisa Social da Índia. Diante da fúria dos recentes protestos, as autoridades indianas criaram 'cortes rápidas' para julgarem casos de estupro. A expectativa é que os processos possam ser encerrados em algumas semanas, e não mais demorar até 14 anos para terminar, como ocorre normalmente.
Pequenas mudanças como essa mostram podem ter resultado dos protestos, mas ainda estão longe de resolver os problemas, que exigem transformações culturais. “Os passos que estão sendo tomados agora não têm precedentes, e devem continuar com prontidão e urgência. Mas um ataque multidimensional é necessário”, afirma a cientista política e professora da Universidade de Calcutá, Bonita Aleaz.
Números negativos – No índice de igualdade de gênero de 2011 da Organização das Nações Unidas (ONU), realizado com base em informações sobre educação, emprego, presença na política e saúde sexual e materna, a Índia ficou em 134º lugar de 187 países, atrás de Arábia Saudita, Iraque e China. O Brasil aparece em 84º lugar.
Em 2012, a Fundação Thomson Reuters divulgou um estudo em que a Índia aparece na lanterna entre os países em desenvolvimento quando o assunto é a condição da mulher. Depois de analisar dados relacionados a igualdade, atenção à saúde feminina e violência de gênero, o levantamento destacou que 44,5% das garotas se casam antes dos 18 anos e 52% das mulheres consideram justificável apanharem do marido.
Mas para a professora de sociologia da Universidade de Délhi Meenakshi Thapan, as mulheres indianas estão cada vez mais dispostas a reportar os abusos. “Infanticídio, tráfico de mulheres, silêncio sobre o estupro, tudo isso está conectado”, avalia. “O estupro era escondido para baixo do tapete, mas agora as mulheres estão ganhando coragem para falar sobre isso, para denunciar à polícia e não estão deixando se amedrontar pelo estigma de mulher estuprada”.

TALMIDIM 2014 - Sim #4


Então Jesus veio da Galiléia ao Jordão para ser batizado por João. João, porém, tentou impedi-lo, dizendo: "Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? "
Respondeu Jesus: "Deixe assim por enquanto; convém que assim façamos, para cumprir toda a justiça". E João concordou.

Assim que Jesus foi batizado, saiu da água. Naquele momento os céus se abriram, e ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre ele. Então uma voz dos céus disse: "Este é o meu Filho amado, em quem me agrado".

Mateus 3:13-17

Jean Wyllys, Maria do Rosário e os seus julgamentos inconsequentes


A família do adolescente, Kaique, reconheceu  na tarde desta terça-feira (21), que o rapaz cometeu suicídio e que a polícia estava correta em suas investigações.

O criminalista Ademar Gomes, que advoga para a família, disse que imagens de câmeras de segurança localizadas a próximas ao local onde Kaique foi encontrado morto mostram que ele estava sozinho. “Ninguém estava perto dele. Kaique estava cambaleando e exames mostram que ele havia bebido no dia, mas podemos concluir que não houve homicídio”, afirmou.

Maria do Rosário  e Jean Wyllys e seus julgamentos:

A Ministra da Secretaria de Direitos Humanos, a petista Maria do Rosário Nunes não perdeu tempo e, mesmo sem a conclusão das investigações e da perícia científica, afirmou que Kaique  fora vítima de homofobia, já que o jovem era homossexual. Já o deputado federal pelo PSOL, Jean Wyllys afirmou em sua página no Facebook:  

"Eu já disse uma vez e vou repetir. Cada uma dessas vítimas tem um algoz material — o assassino, aquele que enfia a faca, que puxa o gatilho, que "desce o pau", como o pastor Malafaia pediu numa de suas famosas declarações televisivas. Mas há outros algozes, que também têm sangue nas mãos. São aqueles que, no Congresso, no governo e nas igrejas fundamentalistas, promovem, festejam, incitam ou fecham os olhos, por conveniência, oportunismo, poder e dinheiro, cada vez que mais um Kaique é morto. Eles também são assassinos. Como deputado federal, mas também como cidadão gay desse país, e antes disso tudo, como ser humano não consegue conviver com a violência e o ódio como se fossem naturais, ficarei à disposição da família e dos amigos de Kaique e farei tudo o que puder para que esse e outros crimes sejam esclarecidos e não fiquem impunes. Como dizia o poeta Pablo Neruda, chileno como Daniel Zamudio, "por esses mortos, nossos mortos, eu peço castigo". 

Retratação pública:

É preciso saber se a ministra e o deputado  oferecerão ao povo brasileiro pedidos de desculpas pelo julgamento descabido. Tanto Rosário como Wyllys foram inconsequentes em suas afirmações demonstrando não possuírem condições de exercerem cargos de tamanha relevância no cenário nacional.  Par piorar a situação o deputado Fluminense ofendeu os cristãos, chamando seus pastores de charlatões inflamando a opinião pública contra os evangélicos.

Sem a menor sombra de dúvidas afirmo que a confirmação por parte da família do jovem Kaique de que este não foi assassinado e sim cometeu suicídio, deveria fazer com que o deputado federal Jean Wyllys viesse a publico manifestando suas escusas por afirmar que o rapaz morreu vitima de homofobia. Além disso, o deputado do Rio de Janeiro deveria ter a honradez de reconhecer publicamente que errou em afirmar que o assassinato de homossexuais se deve a influência de pastores charlatões. Lamentavelmente o deputado do PSOL (que tanto prega sobre tolerância) tem demonstrado em seus discursos, falas e entrevistas, o quanto é intolerante, revelando assim a sua incapacidade de lidar com opiniões divergentes a sua.


Isto posto, concluo dizendo que a presidência da república diante da gravidade da fala da senhora Maria do Rosário deveria demiti-la do cargo que ocupa. Quanto ao Ex-BBB, minha esperança é que em outubro o Rio de Janeiro através das urnas, o conceda  a resposta que merece, isto é, não o reelegendo para a  função de deputado federal.

Renato Vargens é Pastor, conferencista, tendo já pregado o evangelho em países da América Latina, África e Europa, é   plantador de Igrejas e escritor  com 21 livros publicados em língua portuguesa e 1 em língua espanhola. É também colunista e articulista de revistas, jornais e diversos sites protestantes, editor do site www.renatovargens.com.br e pastor presidente da Igreja Cristã da Aliança em Niterói. 

TALMIDIM 2014 - Messias #3

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014


Hoje, na cidade de Davi, nasceu o Salvador, que é Cristo , o Senhor.

Lucas 2.11

TALMIDIM 2014 - Filho #2

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014



No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ela estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito.

João 1:1-3


Evangélicos Encontram-se no Meio de um Avivamento Calvinista – Mark Oppenheimer (The New York Times)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014


Para aqueles que estão tristes com o fim do quiz de fim de ano, aqui está uma pergunta para começar 2014: Se você tivesse se unido a uma igreja que prega uma teologia da Tulip, isso significa que: a) o pastor coloca flores no pão da ceia; b) o pastor crê que as flores que surgem novamente toda primavera simbolizam a ressurreição; ou c) o pastor é um calvinista?

Como um número cada vez maior de cristãos sabe, a resposta é a letra “c”. O acrônimo [em inglês] resume as chamadas doutrinas da graça de João Calvino, com sua ênfase na pecaminosidade e na predestinação. O “T” significa a Total Depravação do homem. O “U” significa a Eleição Incondicional, que quer dizer que Deus já decidiu quem será salvo, independente de qualquer condição na própria pessoa, ou em qualquer coisa que ela possa fazer para conquistar sua salvação.

O acrônimo não fica mais animador depois.

O evangelicalismo está no meio de um avivamento calvinista. Números cada vez maiores de pregadores e professores ensinam as visões do reformador francês do século 16. Mark Driscoll, John Piper e Tim Keller — pregadores de megaigrejas e importantes escritores evangélicos — são todos calvinistas. A frequência em conferências e igrejas de influência calvinista está em alta, especialmente entre os fiéis nas casas dos 20 e 30 anos de idade.

Na Southern Baptist Convention (Convenção Batista do Sul), a maior denominação protestante dos Estados Unidos, a ascensão do calvinismo provocou discórdia. Em 2012, uma pesquisa abrangendo 1.066 pastores batistas do sul conduzida pela LifeWay Research, um grupo sem fins lucrativos associado à Southern Baptist Convention, 30% consideraram suas igrejas calvinistas, enquanto que 60% estavam preocupados “com o impacto do calvinismo”.

Calvinismo é uma orientação teológica, não uma denominação ou organização. Os puritanos eram calvinistas. Os presbiterianos são provenientes dos calvinistas escoceses. Muitos batistas primitivos eram calvinistas. Mas no século 19 o protestantismo se moveu em direção à crença não-calvinista de que os seres humanos devem consentir com sua própria salvação — uma crença otimista e americana por excelência. Hoje, nos Estados Unidos, uma grande denominação (a Presbyterian Church in America) é assumidamente calvinista.

Mas mais ou menos nos últimos 30 anos, os calvinistas têm ganhado proeminência em outros ramos do protestantismo e em igrejas que costumavam dar pouca importância à teologia. Em 1994, quando Mark Dever foi entrevistado na Capitol Hill Baptist Church, uma igreja batista do sul em Washington, o comitê de seleção nem mesmo teve que pergunta-lo a respeito de sua teologia.

“Então eu disse: ‘Deixe-me pensar no que vocês não gostariam em mim se soubessem’”, lembra Dever. E lhes contou que ele era um calvinista. “E eu tive que explicar para eles o que isso significava. Eu não queria que minha família se mudasse para cá e eu acabasse perdendo o emprego”.

Dever, 53, disse que quando assumiu em 1994, cerca de 130 membros frequentavam aos domingos, e a idade média deles era entre os 70 anos. Hoje igreja recebe cerca de 1.000 fiéis, com uma idade média entre os 30 anos. E embora Dever tenda a não mencionar Calvino em seus sermões, seu educado público, muitos dos quais trabalham na política, sabe e gosta do que está ouvindo.

“Penso que é perceptível em seu ensino”, diz Sarah Rotman, 34, que trabalha para o World Bank. “O foco real é na Escritura, e que todas as respostas que buscamos nesta vida podem ser encontradas na palavra de Deus. Em muitas de suas pregações, ele realmente fala sobre nossa pecaminosidade e nossa necessidade do Salvador”.

Tal foco na pecaminosidade difere muito do evangelicalismo popular dos últimos anos. Ele corre na contramão dos pregadores do “evangelho da prosperidade”, que insinuam que a fé pode tornar uma pessoa rica. Ele não soa nada como as afirmações que apelam às emoções de pregadores e escritores como Joel Osteen, que tratam a Bíblia como um livro de autoajuda ou um guia para melhorar os negócios.

“O que você ouve em algumas megaigrejas é: ‘Deus quer que você seja um bom pai, e aqui há sete formas em que Deus pode lhe ajudar a ser um bom pai’”, diz Collin Hansen, autor de “Young, Restless, Reformed: A Journalist’s Journey With the New Calvinists” [“Jovens, Incansáveis, Reformados: A Jornada de um Jornalista com os Novos Calvinistas”]. “Ou: ‘Deus quer que você tenha um bom casamento, então aqui estão três maneiras de fazer isso’”. Em contraste, Hansen diz que aqueles que frequentam igrejas calvinistas querem que o pregador “fale sobre Jesus”.

Alguns não-calvinistas dizem que a ascensão do calvinismo foi alcançada, em parte, através de métodos sorrateiros. Roger E. Olson, um professor da Baylor University e autor de “Contra o Calvinismo” (Editora Reflexão), é o crítico mais franco do calvinismo.

“Uma das preocupações é que novos formandos de certos seminários batistas tenham se infiltrado em igrejas que não são calvinistas, e não contando às igrejas ou aos comitês de seleção, que não são calvinistas”, diz o professor Olson. De acordo com o que ele ouviu, jovens pregadores “esperam vários meses e depois começam encher a biblioteca da igreja com livros” de calvinistas como John Piper e Mark Driscoll. Eles criam turmas especiais com tópicos calvinistas, diz ele, e colocam na liderança da igreja aqueles que são calvinistas como eles.

“Frequentemente a igreja acaba se dividindo, com os não-calvinistas começando sua própria igreja”, diz o professor Olson.

Em sua reunião anual em junho, a Southern Baptist Convention recebeu um relatório de seu Comitê Consultivo de Calvinismo, que abordou acusações tanto de preconceito anticalvinista dentro da denominação quanto de má fé de calvinistas.

“Devemos esperar que todos os candidatos para posições ministeriais na igreja local sejam completamente sinceros dispostos quanto às questões da fé e da doutrina”, diz o relatório.

Embora muitos neocalvinistas mantenham-se longe da política, eles geralmente tomam posições conservadoras quanto às Escrituras e a questões sociais. Muitos não creem que as mulheres devam ser pastoras ou presbíteras. Mas Serene Jones, presidente do Union Theological Seminary, diz que a influência de Calvino não era limitada aos conservadores.

Cristãos liberais, incluindo alguns congregacionalistas e presbiterianos liberais, podem também assumir outros aspectos dos ensinos de Calvino, diz a Dra. Jones. Ela mencionou a crença de Calvino de que o “engajamento cívico é a principal forma de obediência a Deus”. Ela adiciona que, diferentemente de muitos conservadores de hoje, “Calvino não lia a Escritura literalmente”. Frequentemente Calvino “está citando-a incorretamente, e ele inventa passagens da Escritura que não existem”.

Brad Vermurlen, um aluno bacharel da Universidade Notre Dame escrevendo uma dissertação sobre os novos calvinistas, diz que a ascensão do calvinismo foi real, mas que a comoção deve diminuir.

“Dez anos atrás, todos falavam da ‘igreja emergente’”, diz Vermurlen. “E cinco anos atrás, as pessoas estavam falando da ‘igreja missional’. E agora do ‘novo calvinismo’. Eu não quero dizer que o novo calvinismo seja uma mania, mas me pergunto se é uma daquelas coisas que os evangélicos americanos querem falar a respeito por cinco anos, e depois continuar vivendo suas vidas e plantando suas igrejas. Ou é algo que veremos daqui a 10 ou 20 anos?”

Por MARK OPPENHEIMER - 03.01.2014
Leia o artigo original no The New York Times 

Dez coisas que você pode fazer para tornar o mundo pior

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014


1. Ao ouvir algo bom a respeito de uma pessoa, encontre algo negativo para fazer o contraponto, assim você destrói todos os bons exemplos e deixa o mundo sem referência do belo, do justo e do bom.

2. Quando encontrar virtude fora dos limites do seu mundinho , dê um jeito de varrer para debaixo do tapete, e se não for possível, isto é, se a coisa ficar pública em caráter irreversível, jogue o máximo de lama sobre aquilo, inclusive inventando mentiras e distorcendo fatos e conceitos, assim você conseguirá convencer um monte de gente que as únicas certas e boas no mundo são as pessoas que concordam com você, acreditam nas coisas que você acredita e fazem as coisas como você julga que devem ser feitas, e com o tempo você terá afastado as pessoas de Deus e reunido um grupinho ao seu redor, e finalmente você será o centro das atenções.

3. Sempre que discordar de uma ideia, uma atitude, um comportamento, faça questão de demonstrar sua contrariedade, quanto mais enfaticamente melhor, assim você contribui para disseminar antipatias.

4. Ao tomar conhecimento de uma notícia ruim ou ficar sabendo de um defeito ou tropeço de outra pessoa, divulgue rapidamente, seja portador das notícias ruins a respeito do mundo e das pessoas e estabeleça para si mesmo o propósito de ser a boca maldita, assim você se presta ao papel de disseminar amargura e arranca qualquer semente de esperança que estiver brotando no coração das pessoas.

5. Fale mal da igreja e da religião, do governo e da política, da sua cultura e das instituições da sociedade, enfim, do Papa, da Globo, do PT e do STF, do PSDB e da Marina Silva, dos gringos, dos “black bloc”, da polícia, do exército, do Corinthians e da Fifa, enfim, de Deus e todo o mundo, assim você se especializa em sabotar projetos de transformação e gera desânimo no coração das pessoas de boa vontade.

6. Tenha sempre alguém como o próximo alvo a ser destruído, durma maquinando o mal, dedique tempo para escrever e editar vídeos, poste no Vimeo e no Youtube, faça todo o possível para matar as pessoas que incomodam você, e se não for possível acabar com elas, não deixe de fazer todo o possível para destruir a reputação delas, assim você constroi uma imagem de bonzinho a seu respeito e atrai a admiração de gente sem caráter, com o tempo você estará rodeado de gente que não presta.

7. Cultive a inveja, a dissenção, espalhe calúnias, promova a difamação, seja incansável e se especialize em destruir tudo o que os outros estão tentando construir, assim você se candidata à promotoria cósmica e talvez ganhe uma autorização para portar uma espada poderosa que lhe permita arrancar cabeças conforme seu próprio juízo, e então, quem sabe, o mundo não se torna mais justo, já que Deus preserva com vida um monte de gente que não vale o prato que come. 

8. Jamais perdoe, insista em acusar, julgar e condenar, cobrar cada centavo de dívida e exigir reparação de todo e qualquer dano sofrido, incentive a vingança e a violência, e seja implacável com os pecadores, mas não se esqueça de afirmar que está querendo apenas o que é justo, assim você transforma o mundo num inferno, e fica livre do árduo e sacrificial exercício de amar. 

9. Esqueça esse papo de espiritualidade e virtudes universais, foque nos aspectos exclusivos de sua religião, valorizando ao máximo seus ritos, dogmas e tabus, e sempre que tiver que escolher entre eles e as pessoas, fique com eles, afinal, você jamais será acusado de sacrificar a verdade em nome do amor.

10. Jamais cometa a ousadia de invocar o nome de Deus em espírito e em verdade, Ele vai responder, e vai estragar todos os seus planos de fazer o mundo pior, e vai transformar você em uma pessoa generosa, solidária, inclusiva, cheia de compaixão e amor, vai deixar o diabo falando sozinho, e vai se surpreender ao se olhar no espelho e se perceber parecido com Jesus de Nazaré.


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Ed René Kivitz é pastor da Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo. É mestre em ciências da religião e autor de, entre outros, “O Livro Mais Mal-Humorado da Bíblia”.



Ed René Kivitz - TALMIDIM - Reflexões Semanais 2014 #1

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014


TALMIDIM é o tema que escolhi para as Reflexões Semanais deste ano de 2014 a respeito dos conceitos fundamentais da espiritualidade cristã, tendo como referência a relação de Jesus de Nazaré com os seus talmidim. Convido você a colocar o pé na estrada e me acompanhar nessa aventura de seguir a Jesus.

Feliz 2014!


Com esta adaptação de "Águas de Março", de Tom Jobim, me despeço de 2013. Em 2014, vamos trabalhar para reverter tudo isso!

É voto, oferta, é o fim do caminho
É um bando de loucos, é um crente tolinho
É pastor que é bandido, é mentira sem dó
Distorção da Escritura, é o laço sem nó

Oração que é encanto, é unção financeira
É o mergulho no manto, culto da sexta-feira
É unção do pulinho, é joelho no chão
É o mistério profundo, é uma revelação

É o líder caindo, é promessa em ladeira
É fofoca, é inveja, é um queira ou não queira
É a chuva chovendo, é conversa fiada
É profeta que mente, é oração enguiçada

É na fé, é na unção, evangelismo na feira
Livramento na rua, é a marcha estradeira
É um anjo no céu, uma arca no chão
Um shofar, uma bíblia, e óleo pra unção

Isso é o fundo do poço, isso é o fim do caminho
É o vinho sem mosto, é um povo fraquinho
Vai tu hoje, eu que prego, é exegese sem ponto
Púlpito amordaçado, a mensagem é um conto

É o povo, constrangido, é a prata brilhando
É o dízimo com medo, devorador chegando
Lenga-lenga, euforia, mente cauterizada
É catarse, é doidice, é o fim da picada

É o projeto do templo, é campanha, é um drama
Pra sair do atoleiro, é a lama, é a lama
É a rosa, é o lenço, a chave do amanhã
É demônio caindo, tá amarrado satã

Com o Evangelho é possível mudar tal situação
Pois tem promessas de vida pro teu coração

Me contaram de um tal, crente que é mané
Deu de oferta a casa, quase perdeu a mulher

Com o Evangelho é possível mudar tal situação
Pois tem promessas de vida pro teu coração

Mau, queda, fim, caminho
Rezo, pouco, mas não tô sozinho
Creio, faço, vida, sol, noite, morte, luz, suor  

Com o Evangelho é possível mudar tal situação
Pois tem promessas de vida pro teu coração


Carlos Moreira
30.12.2013
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