Uma teologia por trás da Teologia da Prosperidade (Uma entrevista com Rosalee Velloso)

domingo, 23 de março de 2014

Uma “teologia terapêutica” que influencia muito mais cristãos do que imaginamos 


Rosalee Velloso nasceu em São Paulo, foi professora de teologia em vários seminários do Brasil e dos Estados Unidos. Atualmente, é diretora executiva da Comissão Teológica da Aliança Evangélica Mundial e editora do Novo Testamento do Comentário Bíblico Contemporâneo Latino-Americano que será publicado em breve. Ela será um dos preletores da Consulta Teológica e Pastoral “Um Chamado à Humildade, à Integridade e à Simplicidade”, promovida pelo Movimento Lausanne e a Aliança Evangélica Brasileira, de 3 a 5 de abril em Atibaia (SP).

Na breve entrevista a seguir, Rosalee falta sobre a teologia por trás da Teologia da Prosperidade: uma “teologia terapêutica” que influencia muito mais cristãos do que imaginamos.

Cara Rosalee, você poderia nos dizer, em poucas palavras, quem é você e destacar as áreas com as quais está mais envolvida? 
Eu sou a Rosalee Velloso Ewell, nascida em São Paulo, filha de Ary e Carolina Velloso. Atualmente trabalho com a Aliança Evangélica Mundial, servindo como diretora executiva da Comissão Teológica da mesma. Já fui professora em seminários no Brasil e nos Estados Unidos e estou morando na Inglaterra enquanto meu marido completa seus estudos para o doutorado.

A Consulta vai falar sobre humildade, integridade e simplicidade. Isso poderia ser considerado uma resposta aos desafios que vieram com o crescimento da Teologia da Prosperidade, que está tão em voga em muitas de nossas igrejas hoje?
Sim, podemos analisar a teologia e os ensinamentos da prosperidade usando as lentes de "humildade, integridade e simplicidade", mas estes temas aplicam-se a todos nós. Isto é, eles são um desafio para cada cristão e para cada comunidade, não só porque questionam o próprio meio de vida no mundo contemporâneo, mas porque nos forçam a repensar como nossas vidas refletem ou não a ética de Cristo.

Você já teve que enfrentar as questões da Teologia da Prosperidade em seu ministério?
Sim, mas talvez não no sentido de estar de frente com um pastor ou líder famoso por sua teologia da prosperidade. O perigo que mais me preocupa é como esta teologia está disfarçada no meio evangélico e os danos que causa ao testemunho da igreja. Já vi muitas igrejas que no seu falar e pregar são contra a Teologia da Prosperidade, mas no seu modo de vida, no seu dia a dia, exibem um cristianismo "terapêutico", um Jesus que às vezes tem algo a dizer sobre coisas da família ou sobre a saúde, mas ignoramos o que ele diz sobre o dinheiro e as questões econômicas.

Como você vê o impacto da Teologia da Prosperidade na vida das igrejas e das pessoas em muitos países pobres, como vem acontecendo hoje?
Creio que esta teologia usa a pobreza de muitos para crescer e multiplicar-se, mas que não é um problema só de países pobres. Como já disse, a “teologia terapêutica” está em todos os lugares - ricos e pobres - e tem um impacto muito negativo no testemunho da igreja. Se os cristãos em lugares pobres aprendessem a viver de tal forma que mostrassem verdadeiramente as bênçãos de Deus, se demonstrassem sinceramente o poder transformador de Cristo (inclusive na área financeira), acho que a teologia da prosperidade não sobreviveria. Mas como o testemunho de cristãos é tão fraco, as promessas e a esperança que a Teologia da Prosperidade oferece servem como um bálsamo, um remédio contra a pobreza e a tristeza.

Qual seria o seu apelo às igrejas jovens e que aumentam cada vez mais, como acontece aqui no Brasil?
Não caiam na armadilha da “teologia terapêutica”, mas procurem oferecer uma esperança melhor, uma teologia melhor do que aquela oferecida pela Teologia da Prosperidade. Se cremos realmente que Jesus é Senhor, quais a implicações desta afirmação em termos de como vivemos em comunidade, como igreja, como pessoas que fazem parte de um só corpo?

Qual o legado de Lausanne 74?
Um dos principais legados do Congresso Lausanne 1974 foi ajudar a própria igreja a olhar para si mesma e fazer uma autocrítica, perguntando-se se estava realmente sendo fiel à Palavra de Deus e engajada na missão que o Senhor lhe havia deixado. Porém, talvez o legado mais marcante seja o fato de o Pacto de Lausanne ter estabelecido, de uma maneira clara e contundente, a importância do envolvimento do cristão com a sociedade que nos rodeia.


Marcos Amado, diretor para a América Latina do Movimento Lausanne.

A Teologia da Missão Integral e o Marxismo

quinta-feira, 20 de março de 2014

por Ariovaldo Ramos

Desde que ouvi falar de missão integral em 2007, enquanto fazia uma escola da JOCUM, fiquei interessado e comecei a pesquisar sobre o tema. Adquiri alguns livros, baixei artigos da internet, assinei Ultimato, enfim, quis saber quem falava sobre missão integral e o que falavam sobre missão integral. Em meio a muitas leituras e questionamentos, não sei se estou sendo tolo, mas a minha pergunta é: a teologia da missão integral dialoga com o marxismo ou mesmo se apropria de alguns pressupostos marxistas? Se sim, como articular cosmovisões contrárias uma da outra?
Filipe Reis, Parintins, AM


Bem, Filipe, nós vivemos num mundo profundamente influenciado pelo marxismo. Então, é impossível dialogar com o mundo sem dialogar com o marxismo num nível ou noutro. O marxismo mudou a face do Ocidente por, pelo menos, setenta anos. Estabeleceu-se como fato histórico, vimos surgirem blocos socialistas no mundo todo. E a grita do marxismo era a de que o capitalismo estava na contramão do que produziria felicidade humana, e que era preciso chegar a uma nova fase na história da humanidade a que eles chamaram de comunismo, que era, segundo Marx, o sucedâneo natural do capitalismo. As experiências revolucionárias marxistas não comprovaram a tese, porque as grandes nações, que se tornaram socialistas, do ponto de vista marxista-leninista, deram ou tentaram dar um salto do feudalismo para o comunismo, já que nem uma delas havia passado pelo capitalismo propriamente dito. Mas estão aí, fizeram história, milhares de escritos, de reflexão por todo o mundo, em todas as línguas. Então, é impossível falar ao mundo sem dialogar com os que também tentam interpretar e até mesmo transformar o mundo. Neste sentido, a Teologia da Missão Integral dialoga com o marxismo assim como dialoga com A riqueza das nações de Adam Smith, com o capitalismo, porque nós estamos tentando responder a grande pergunta humana que é “qual é o sentido da vida, para o que é que nós existimos, de onde viemos, para onde vamos e como devemos viver?”. Então, nós dialogamos com todo mundo, inclusive com outras confissões de fé. Nós estamos lutando pela humanidade como todo mundo.

Agora, se o que você está perguntando é se a Teologia da Missão Integral lança mão do referencial teórico marxista, a resposta é NÃO. A TMI considera as análises marxistas, entende a validade de muitas de suas análises, mas não lança mão do referencial teórico do marxismo, porque a Missão Integral se estriba na recuperação de dois conceitos: 1- O conceito de justiça no profetismo hebraico. No profetismo hebreu você tem a noção de justiça, ela vai aparecer nos grandes profetas que vão dizer, como Amós (5.24), que a justiça deve correr como um rio que nunca seca. Todos os profetas hebreus levantaram a questão da justiça e são eles que introduzem esta noção da justiça como um critério transcendente: justiça não é mais uma relação de poder entre fracos e fortes, entre vencedores e vencidos;  justiça é uma demanda divina, uma demanda de Deus; ele exige justiça, Deus exige que os pobres sejam tratados com decência, exige, de fato, que não haja pobreza, que haja libertação econômica, social e política (essa noção aparece no Jubileu e no Ano da Remissão – Lv 25; Dt 15.1-10). A justiça nasce no coração de Deus e é introduzida na história humana pelos profetas hebreus, são eles que trazem a noção de justiça para a história e trazem-na como um dado transcendente, e não como uma conclusão imanente, ou seja, não foram os seres humanos pensando sobre si, sobre a história, sobre a sociedade que chegaram à noção de igualdade, de justiça, de que não pode haver pobre; pura e simplesmente. Foram os profetas hebreus que trouxeram este elemento para a história humana, esta visão de que há uma demanda da parte de Deus por igualdade entre os homens, por dignidade para todos os homens, pelo fim da pobreza, pelo respeito ao diferente, pelo abrigo ao estrangeiro, pela noção de direito humano. E isso vem diretamente de Deus, está espalhado por todo o Antigo Testamento, desde a lei de Moisés que é reforçada pelo profetismo hebraico que, na verdade, é um trabalho de recuperação do espírito da lei de Moisés, que clama por justiça. Este é o primeiro referencial da Missão Integral. Você verá isso nos escritos de René Padilla, nos escritos de Samuel Escobar, de Orlando Costas, de Pedro Araña e muitos outros.
2- O outro referencial da Teologia da Missão Integral é a recuperação da noção do Reino de Deus e sua justiça, a ideia de que o Reino de Deus é um outro sistema que se opõe ao sistema vigente, que se opõe ao sistema capitalista e ao sistema soviético. É um outro sistema que vem não para estar ao lado dos sistemas em pauta, mas para substituí-los, para erradicá-los. Isso aparece no profeta Daniel que, quando responde ao sonho de Nabucodonosor, fala sobre a pedra que é lançada por mãos não humanas contra a estátua. A estátua, no sonho de Nabucodonosor, sintetiza todas as tentativas humanas de resolver o problema humano sem considerar a hipótese de Deus ou sem considerar a revelação de Deus, tudo o que os homens tentaram em todos os níveis: o feudalismo, o capitalismo, o comunismo; está tudo lá na estátua. E a pedra é o Reino de Deus, que vem e derruba a estátua, triturando-a, desfazendo todos os componentes da estátua até transformá-la em pó, pó que é varrido pelo vento de modo que da estátua não fica nem lembrança, e a pedra cresce, alarga-se e toma toda a terra, ou seja, uma nova realidade assume o controle da história e essa nova realidade é o Reino de Deus.
A Teologia da Missão Integral vai recuperar essa noção de Reino de Deus que aparece com força total no Novo Testamento, a partir da pregação de João Batista, e que é referendada e ratificada pela pregação de Jesus de Nazaré: arrependei-vos porque é chegado o Reino dos Céus. Nos quatro Evangelhos você  verá que os fariseus, os saduceus, os mestres da lei, que viviam inquirindo Jesus, fizeram perguntas, de toda ordem, de todo tipo, mas nenhum deles perguntou o que era o Reino dos céus. Todos eles sabiam do que João e Jesus estavam falando, eles sabiam o que era o Reino dos Céus: a chegada da realidade definitiva, a realidade que iria se impor á história, que iria conquistar a história, que iria se estabelecer na história e iria dar o tom à história. É isso que a Teologia da Missão Integral recupera: a noção do Reino de Deus como um sistema que engloba tudo o que afeta o homem e tudo o que o homem afeta. Engloba, portanto as questões social, política, econômica, ética, a moral, educacional, do trabalho, do direito, porque tudo isso afeta o homem e é afetado pelo homem, por isso é um sistema só, e esse sistema precisa ter um novo princípio vetor que segundo as Escrituras é o Reino de Deus. Assim, o Reino de Deus é um novo sistema onde só a vontade de Deus é feita, e é um sistema econômico, político, social, moral, ético, educacional, está tudo contido no Reino de Deus.
A Teologia da Missão Integral é uma proposta Ortodoxa, que amplia a missiologia da Igreja, portanto uma proposta de Evangelização, de proclamação da necessidade da conversão ao Cristo, na sua forma mais radical, mas não tem a pretensão de que seja a Igreja que venha a implantar o Reino de Deus, ela tem a intenção de encorajar a Igreja a sinalizar que o Reino de Deus já está presente, e trabalha para que a Igreja seja uma mostra do mundo vindouro “as primícias” do Reino de Deus, como Tiago (Tg1.18) nos advertiu. Sendo assim, a partir da Igreja os paradigmas do Reino dos Céus devem ser vividos, e aí a Igreja, como uma das protagonistas da história, precisa ser proativa e sinalizar a presença do Reino a partir de todas as suas possibilidades, e influenciar o mundo com os padrões do Reino de tal maneira que, guardadas as devidas proporções, o mundo se torne o mais parecido possível com o Reino vindouro. E isso vai significar a chegada da paz, da igualdade, do direito, da responsabilidade moral, de uma sociedade sem classes, de uma sociedade justa, de uma sociedade igualitária, solidária, isso é a pregação da Teologia da Missão Integral.
Você pode dizer que aqui ou ali nós esbarraremos em conceitos marxistas, mas eu preciso lembrar a você de que Marx veio depois da Igreja Primitiva, veio depois de Jesus, o Cristo. Não somos nós que estamos buscando conceitos em Marx, foi Marx que buscou os conceitos dele na tradição judaico-cristã, e tentou criar um projeto de uma vida semelhante ao que a Igreja primitiva viveu. Porém o filósofo quis atingir essa realidade sem a necessidade da hipótese de Deus, e por métodos que a Ortodoxia Cristã não apoia.

Nós não trabalhamos com o referencial marxista porque o nosso referencial é anterior. Embora aqui e ali, nós possamos ter intersecções com os marxistas, se isso acontecer, será porque, como disse o Karl Jaspers, nenhuma filosofia do Ocidente foi desenvolvida sem que a Bíblia fosse o pano de fundo. E nem Karl Marx escapou disso. 

(baseado em artigo publicado na Revista Ultimato)

O Habitat Futuro - Rev.Heber Carlos de Campos

segunda-feira, 17 de março de 2014

por Voltemos ao Evangelho

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Nós iremos morar no céu após a nossa morte, mas isso não será para sempre! 
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Heber Campos comenta essa afirmação na entrevista feita pelo VE durante a Conferência Fiel para Pastores e Líderes 2013, com a ajuda do voluntário, Yago Martins:

TALMIDIM 2014 - Sermão #11

quinta-feira, 13 de março de 2014


Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus".

Mateus 5.20

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De rolê por aí... com Diniz (Avalanche Missões Urbanas)

segunda-feira, 10 de março de 2014

Conversa entre Vila Velha e Vitória... num dia ensolarado.

Essas igrejas vão fechar...

A conversa é boa. Um papo informal e descontraído sobre os rumos da igreja e evangelização. Lá pelas tantas, Ariovaldo constata o óbvio que a maioria se recusa a enxergar: “Muitas destes igrejas que investem em tudo, menos em pessoas irão fechar as portas". Vão virar boate, supermercado e restaurante, como acontece na Europa. O Diniz responde e cita o famoso teólogo do mangueChico Science: Mas é para fechar mesmo “estou me organizando para desorganizar; tô desorganizando para me organizar”. 

Perfeito. A Igreja viva está sempre em reforma. A atual precisa de muita marreta, mas também pá, tijolo e cimento ESPIRITUAIS. Investir no discipulado e na formação; no evangelismo, em missões. Sempre com o olho no alvo. NO ALVO!!!!!

Segue o papo. Espero que vocês tirem proveito, para além da linguagem jovem e do jeito informal. Os manos soltaram os cachorros e falaram de tudo: Político evangélico, teologia da prosperidade, marcha para Jesus, cidadania e o business dos pastores. Vai dar muito pano para manga, risos. São opiniões fortes. Aqui não concordamos com 100%, mas vai uns 99%, risos.

TALMIDIM 2014 - Jugo #10

quinta-feira, 6 de março de 2014


"Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.

Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas.


Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve".

Mateus 11.28-30




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