Igreja na perspectiva de Caio Fabio D'Araújo Filho

terça-feira, 29 de abril de 2014


Igreja tem que ser coisa de gente de Deus, de gente livre, de gente sem medo, de gente que anda e vive, que deixa viver. Que crê sempre no amor de Deus e sobretudo é algo para gente que confia, que entrega, que não deseja controlar nada e que sabe que não sabe, mas que sabe que Deus sabe. Somente gente com esse espírito pode ser parte sadia de uma igreja local, por exemplo.

Entretanto, para que as pessoas sejam assim seus pastores precisam ser assim. Se o pastor é assim tudo ficará assim. Ou, então, o tal pastor não emprestará a sua vida para o que não seja vida e assim bem-aventuradamente deixará tal lugar de prisão disfarçada de amor fraterno.

Em igreja há problemas. É claro, afinal tem gente! Mas nenhum problema humano tem que ser um escândalo para a verdadeira igreja de gente boa de Deus. Numa igreja de Deus ninguém tem que ser humilhado. Adúlteros não tem que ser apresentados ao público, ladrões são ajudados a não mais roubarem, corruptos são tratados como Jesus tratou a Zaqueu e hipócritas são igualmente tratados como Jesus tratou aos hipócritas. Com silencio que passa, mas ao mesmo tempo não abre espaço.

Na igreja de gente boa de Deus fica quem quer e até quando deseje. E quem não estiver contente não precisa ser taxado de rebelde e nem de insubordinado. Ele é livre para discordar e sair. Sair em paz! Sem maldições e sem ameaças. Aliás pode sair sem assunto mesmo.

Na verdadeira igreja não há auditores, há amigos. Nela também toda angustia humana é tratada em sigilo e paz. Igreja é um problema? Sinceramente não acho. Pelo menos quando a igreja é assim, de gente para gente, liderada por gente e com o propósito de fazer de toda gente um humano maduro. Então creia. Não há problemas nunca, pois os problemas em tal caso nada mais são do que situações normais da vida como gripe, febre ou qualquer outra coisa que só não dá em poste de ferro.

Tudo o que aqui digo decorre de minha experiência. Não é teoria! Pode ser assim em todo lugar. Mas depende de quem seja o pastor. E mais: Se o povo já estiver viciado demais nem sempre tem jeito. Entretanto, se alguém decide começar algo do zero, então saiba: Caso você seja gente boa de Deus e que trate todos como gostaria de ser tratado, não haverá nada que não seja normal, pois até as maiores anormalidades são normais quando a mente do evangelho em nós descomplicou a vida.

Caio é Psicanalista Clínico, escritor e pregador do Evangelho da Graça de Jesus. É também Fundador do movimento “O Caminho da Graça”.

Igreja na perspectiva de Ariovaldo Ramos

domingo, 27 de abril de 2014

por Ariovaldo Ramos

Igreja é um lugar onde o Pai se sente em casa, 
Onde é adorado pelo que é e não pelo que pode, 
Onde é obedecido de coração e não por constrangimento, 
Onde o seu reino é manifesto no amor, na solidariedade, na fraternidade e serviço ao outro, 
Onde o ser humano se perceba em casa e seja a casa de Deus e do outro, 
Onde Jesus Cristo é o modelo, o desejo e o caminho, 
Onde a graça é o ambiente, o perdão a base do relacionamento e o amor a sua cimentação.
Onde o Espírito Santo está alegre pela liberdade que desfruta para gerar e expressar a Cristo, 
Onde Ele vê os seus dons serem usados para edificar, provocar alegria e servir ao próximo, 
Onde todos andam abraçados, 
Onde a dor de um é a dor de todos, 
Onde ninguém está só, 
Onde todos têm acesso ao perdão, à cura de suas emoções, à amizade e a ser cada vez mais parecido com Cristo, 
Onde os pastores são apenas ovelhas-exemplo e não dominadores dos que lhes foram confiados, 
Onde os pastores são vistos como ovelhas-líder e não como funcionários a serem explorados. 
Onde não há gente nadando na riqueza enquanto outros chafurdam na miséria, 
Onde há equilíbrio, de modo que quem colheu demais não esteja acumulando e quem colheu de menos não esteja passando necessidades. 
Enfim, a comunidade do reino de Deus, 
Onde aparece a humanidade que a Trindade sonhou,
Onde a cidade encontra paradigmas.
Onde o livro texto é a Bíblia.

Ari é escritor, articulista e conferencista com larga experiência na missão da igreja. Foi presidente da AEVB (Associação Evangélica Brasileira), Missionário da SEPAL, e presidente da Visão Mundial no Brasil. Atualmente ministra na Comunidade Cristã Reformada. 

"Igreja que estressa"

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Em nossa cultura temos nos transformado em “trabalhadores compulsivos”, ai invés de sermos “trabalhadores prazerosos”. “Quando absolutizamos o trabalho, não apenas nos tornamos idolatras, mas damos ao homem uma falsa identidade, a de homo faber, como se o homem, sem Deus, pudesse criar alguma coisa”.
Ricardo Barbosa – Janelas para a vida

Muitos de nós já foram seduzidos e enganados pelo ativismo cristão. O discurso de que estamos trabalhando para o “Senhor” sempre é implicado nesse contexto. Mas sempre arcamos com os danos desse flerte insano. É notável nos movimentos em que predomina a idéia do trabalho das próprias mãos, resultados inexpressivos e até mesmo fracasso diante da demanda estabelecida. Mesmo assim, apesar de estatísticas, há sempre uma nova fórmula a ser experimentada.

Os dias vão passando e estamos cada vez mais atarefados. Há uma busca incessante por crescimento, expansão. A tendência é que cada membro seja um líder, e cada líder um multiplicador. Muito do que vem deste processo começa a dar as caras na igreja brasileira.

A revista Cristianismo Hoje trouxe na sua edição de Dezembro 2012/Janeiro 2013 a matéria de capa “Igreja que estressa”. Os exageros no envolvimento com a vida eclesiástica levou muitas pessoas a sérios problemas pessoais. Diversos relatos de obreiros que chegaram a passar mais tempo na igreja que na própria casa. Pessoas esgotadas devido ao ativismo. A pedagoga Bernadeth Branco de 49 anos foi levada a depressão devido a crises na igreja. Acostumou-se a ouvir uma cultura que pregava entrega, negação e santidade. 

A mensagem daquele grupo era caracterizada pelo peso, pela culpa. Eu lutava contra meus estresses. Minha dedicação tornou-se tal que, naturalmente, afastei-me de familiares, pais, irmãos e amigos”.

É preciso se cultivar uma espiritualidade saudável. Precisamos entender que nem sempre a urgência da denominação é a Prioridade do reino. Templos cheios não são significam nada quando livros e mais livros trazem “o escândalo do comportamento evangélico” e a inversão dos valores cristãos. Cristo nos chama para viver o evangelho e este não traz confusão. Que haja profunda reflexão. Que Pessoas possam de fato ser importantes e tratadas como o próprio Cristo as tratava e não sejam mais um número em nossas comunidades. Que a liderança seja dependente e ciente que planos e esquemas não são mais importantes do que os princípios da boa nova. Entendedores que seus liderados carecem de cuidado, não de imposições. Que haja de fato uma reformissão em cada um de nós e que a tirania imposta não nos alcance. Antes vivamos para glória de Deus, o amando para sempre. 

Jornalista dinamarquês se decepciona com Fortaleza e desiste de cobrir Copa

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Hayanne Narlla Da Tribuna do Ceará



Até aonde você iria por um sonho? O jornalista dinamarquês Mikkel Jensen desejava cobrir a Copa do Mundo no Brasil, o "país do futebol". Preparou-se bem: estudou português, pesquisou sobre o país e veio para cá em setembro de 2013.
Em meio a uma onda de críticas e análises de fora sobre os problemas sociais do Brasil, Mikkel quis registrar a realidade daqui e divulgar depois. A missão era, além de mostrar o lado belo, conhecer o ruim do país que sediará a Copa do Mundo. Tendo em vista isso, entrevistou várias crianças que moram em comunidades ou nas ruas.
Em março de 2014, ele veio para Fortaleza, a cidade-sede mais violenta, com base em estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao conhecer a realidade local, o jornalista se decepcionou. "Eu descobri que todos os projetos e mudanças são por causa de pessoas como eu – um gringo – e também uma parte da imprensa internacional. Eu sou um cara usado para impressionar".
Descobriu a corrupção, a remoção de pessoas, o fechamento de projetos sociais nas comunidades. E ainda fez acusações sérias. "Falei com algumas pessoas que me colocaram em contato com crianças da rua e fiquei sabendo que algumas estão desaparecidas. Muitas vezes, são mortas quando estão dormindo à noite em área com muitos turistas".
Desistiu das belas praias e do sol o ano inteiro. Voltou para a Dinamarca na segunda-feira (14). O medo foi notícia em seu país, tendo grande repercussão. Acredita que somente com educação e respeito é que as coisas vão mudar. "Assim, talvez, em 20 anos [os ricos] não precisem colocar vidro à prova de balas nas janelas". E para Fortaleza, ou para o Brasil, talvez não volte mais. Quem sabe?
Confira na íntegra o depoimento:

A Copa – uma grande ilusão preparada para os gringos
Quase dois anos e meio atrás eu estava sonhando em cobrir a Copa do Mundo no Brasil. O melhor esporte do mundo em um país maravilhoso. Eu fiz um plano e fui estudar no Brasil, aprendi português e estava preparado para voltar.
Voltei em setembro de 2013. O sonho seria cumprido. Mas hoje, dois meses antes da festa da Copa, eu decidi que não vou continuar aqui. O sonho se transformou em um pesadelo.
Durante cinco meses fiquei documentando as consequências da Copa. Existem várias: remoções, forças armadas e PMs nas comunidades, corrupção, projetos sociais fechando. Eu descobri que todos os projetos e mudanças são por causa de pessoas como eu – um gringo – e também uma parte da imprensa internacional. Eu sou um cara usado para impressionar.
Em março, eu estive em Fortaleza para conhecer a cidade mais violenta a receber um jogo de Copa do Mundo até hoje. Falei com algumas pessoas que me colocaram em contato com crianças da rua, e fiquei sabendo que algumas estão desaparecidas. Muitas vezes, são mortas quando estão dormindo à noite em área com muitos turistas. Por quê? Para deixar a cidade limpa para os gringos e a imprensa internacional? Por causa de mim?
Em Fortaleza eu encontrei com Allison, 13 anos, que vive nas ruas da cidade. Um cara com uma vida muito difícil. Ele não tinha nada – só um pacote de amendoins. Quando nos encontramos ele me ofereceu tudo o que tinha, ou seja, os amendoins. Esse cara, que não tem nada, ofereceu a única coisa de valor que tinha para um gringo que carregava equipamentos de filmagem no valor de R$ 10.000 e um Master Card no bolso. Inacreditável.
Mas a vida dele está em perigo por causa de pessoas como eu. Ele corre o risco de se tornar a próxima vítima da limpeza que acontece na cidade de Fortaleza.
Eu não posso cobrir esse evento depois de saber que o preço da Copa não só é o mais alto da história em reais – também é um preço que eu estou convencido incluindo vidas das crianças.
Hoje, vou voltar para Dinamarca e não voltarei para o Brasil. Minha presença só está contribuindo para um desagradável show do Brasil. Um show, que eu dois anos e meio atrás estava sonhando em participar, mas hoje eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para criticar e focar no preço real da Copa do Mundo do Brasil.
Alguém quer dois ingressos para França x Equador no dia 25 de junho?

Mikkel Jensen – Jornalista independente da Dinamarca

O Tribuna do Ceará entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) para comentar acerca da possível "matança" comentada pelo jornalista dinamarquês, mas até a publicação desta matéria não foi enviada a resposta.


(*) A pedido de Mikkel, este artigo foi publicado com o jornalista já na Dinamarca.
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