Tu me Amas?

sexta-feira, 10 de junho de 2016


A pergunta de Jesus a Pedro, em João 21:1-17, nos remete aos primórdios da Psicologia, ou seja, ao tratamento que Jesus dispensou a Pedro. A cura das feridas emocionais é antes de tudo um caminho novo, que envolve afeto, amizade, o "se gostar". Vemos aqui traçada a linha divisória entre a velha e a nova espiritualidade na vida de Pedro.
Antes, um Pedro valente o suficiente para cortar a orelha do servo do Sumo Sacerdote a espada, mas que perde a valentia em seguida, a ponto até de negar conhecer a Jesus. Um Pedro sujeito, como nós, aos riscos de se achar pronto e inteiro para atuar nas relações de ajuda, sofrendo da "Síndrome de Super-homem", só porque foi escolhido... "Eu?! Jamais te abandonarei! Jamais falharei!" Um Pedro que esqueceu que somos pó e apenas isso!
No entanto, a vida de Pedro muda quando Jesus faz aquela pergunta tão desconcertante: Tu me amas? Jesus não lhe perguntou: "Quantos você escutou hoje?" ou "Quantas horas você tem dedicado à sua igreja?" ou ao seu trabalho? ou a cursos de especialização? Tudo isto é muito bom, muito importante, mas a pergunta que Jesus nos faz é: Tu me amas?
A velha e a nova espiritualidade! A proposta de Jesus muda nosso modo de encarar as relações de ajuda, pois está baseada no afeto. O Pedro que emerge deste contato terapêutico é um Pedro corajoso, decidido, mas também muito mais amoroso, capaz de superar preconceitos antigos.
Jesus nos convida para uma nova espiritualidade baseada na intimidade! Estar em Sua esperança, em solitude, é que vai criar em nós este sentimento, e não temos dificuldade para "marcar uma hora" com nosso Deus... O que eu quero dizer é que estar na presença de Deus, em silêncio, lendo a Sua Palavra, meditando, criando um tempo para este compartilhar, é bem diferente! Deixar a Palavra do próprio Deus penetrar, usando nossos sentidos, tentando enxergar a cena, ouvir os ruídos, sentir os gostos e cheiros, enfim, mergulhar na Palavra e se deixar encharcar por Ela! 
E aí sim, depois de estar tão pertinho do Pai, sentirmos o seu calor, seu abraço e seu afeto, como é bom trabalhar! Mas a minha prioridade é dizer a Deus o quanto eu o amo! Meu Deus, Pastor da minha alma e Redentor meu!


Roseli M. Künrich de Oliveira é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista (UNIP) de São Paulo, Especialista em Terapia Familiar e com Mestrado em Teologia pela Escola Superior de Teologia (EST), no Rio Grande do Sul. Vice-presidente do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC Sul), e membro da Associação de Assessoramento e Pastoral da Família (EIRENE). Autora do livro "Cuidando de quem Cuida: um olhar de Cuidados aos que ministram a Palavra de Deus", Editora Sinodal e co-autora em De Bençãos e Traições, a história das famílias de Abraão, Isaque e Jacó, Ed. Ultimato/ Esperança.
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