Para nos lembrarmos

domingo, 24 de dezembro de 2017


Temos imensa facilidade para nos esquecermos de coisas importantes. Distraídos, sempre nos apegamos a futilidades e abandonamos coisas essenciais. C.S Lewis disse que precisamos mais sermos lembrados do que ensinados. Como isso se faz necessário hoje.

Assim como outras datas, o Natal se tornou um mero evento comercial. Um dia de folga do trabalho, uma oportunidade para comermos e bebermos. Fomos envolvidos em tantas eventualidades, que nos esquecemos do motivo e razão, O Cristo. Se não o fosse, não seria Natal.

Poderíamos entrar em diversas discussões de contexto histórico e religioso. Porém, irrelevantes para o motivo desta reflexão. Sempre estabelecemos momentos para nos lembrarmos e refletirmos. Se o Natal já não é mais esse momento para você, ele será apenas mais um feriado no calendário. Se já não é motivo de nos alegrarmos na Salvação que nos alcançou, ele será apenas um dia monótono regado à muita comida.

Talvez você tenha tentado trazer sentido para essa data fazendo boas ações​, revertendo lucros para causas sociais importantes, visitando os menos abastados, vestindo e alimentando os carentes. Talvez essa busca insaciável por sentido tenha te levado a muitas ações nobres. Mas, os vazios de dentro ainda são tão grandes, que mesmo o mais belo ato será pouco diante das lacunas na alma.

Necessário é nos lembrarmos do que realmente importa. Porque hoje, um Filho Deus nos deu. Porque hoje nasceu o Cristo, presente de Deus aos homens, prometido do Pai. Hoje a esperança nos encontra despedaçando toda incerteza e desolação dentro do peito. Hoje, a paz que excede a todo entendimento, quer abraçar a todo, que em meio ao caos clama por socorro. Hoje, ele estende as mãos, abre seus braços aconchegantes e convida a todo que se perdeu em meio a festa a vir a Ele. Chama a todo o que não se lembra pelo nome para dizer que jamais se esquecerá.

Hoje cristo nasce, assim como todas as manhãs. Dia após dia ele tem nos presenteado com misericórdia, no desejo insaciável de nos lembrarmos. Que hoje seja de fato Natal. Que Cristo nasça abundantemente em seu coração e esse sentido transborde e alcance quem ainda não experimentou. Que hoje seja Natal para nós.




LEONARDO CARVALHO é blogueiro e autor do Reformando Conceitos. Esposo da Cláudia (com quem escreve no e a gente se encontrou), pai da Tábata. Também é colaborador do Blog Apologetas. É músico e compositor. Formado em Teologia Ministerial no Seminário Vida Nova, cursa o bacharelado na FBMG. É membro da PIB Nova York em Belo Horizonte (MG).

Janaúba, 5 de Outubro de 2017

sexta-feira, 6 de outubro de 2017


Como é fácil tornar uma atitude nobre tão desprezível. Como é fácil perverter a solidariedade em oportunismo. Aprendi com um amigo que não fazemos teologia com a dor dos outros. Hoje eu estendo esse princípio. Não podemos fazer marketing institucional com a dor dos outros.
A tragédia em Janaúba tem mobilizado tanto instituições, quanto marqueteiros que querem transformar a tragédia das famílias em propaganda eclesiástica. Nesses momentos, me pergunto desolado: Onde estão as obras de justiça puras, altruístas e espontâneas? Onde estão os homens de boa vontade e vazios de más intenções? Onde estão?
Mas existem questões mais inquietantes do que essas. O que esses homens têm a ver com a fé do mestre que se esquivava da publicidade? O que esses homens e seus atos tem a ver com a essência do evangelho de Cristo? Nada! Absolutamente nada. 
Que esses pequeninos que tão cedo conheceram o pior do ser humano sejam encontrados por um Deus pai que toma no colo, que afaga e tranquiliza. Que haja paz em seus corações e que experimentem cura não só no físico, mas em suas almas e corações.
Que nossos corações e orações estejam com cada família que chora a perda de seus pequeninos, com cada pai e mãe que não tem onde encontrar resposta diante de tamanho caos. Que nossa compaixão se estenda a cada família que nessa noite não encontrará refúgio em suas casas, pois peregrinam hospitais em Janaúba, Montes claros e Belo Horizonte. Que Deus os conforte, que nossas nossas mentes atarefadas não esqueçam e nossas orações não cessem. 



LEONARDO CARVALHO é blogueiro e autor do Reformando Conceitos. Esposo da Cláudia (com quem escreve no e a gente se encontrou), pai da Tábata. Também é colaborador do Blog Apologetas. É músico e compositor. Formado em Teologia Ministerial no Seminário Vida Nova, cursa o bacharelado na FBMG. É membro da PIB Nova York em Belo Horizonte (MG).

Uma roupa que não nos cabe mais!

quarta-feira, 23 de agosto de 2017


O que vivemos ficou para trás. Nossas tragédias e fracassos foram enterrados. O que Cristo fez, mudou para sempre nossa história. O que era dor se tornou alegria. O que para nós era fim, se tornou começo depois da doce voz de um Deus de esperança.

Porém, nossa estrutura humana nos prega peças, tenta nos iludir de que lá atrás, ficaram coisas boas, coisas desejáveis. Nossa luta começa quando o velho homem tenta se reerguer em nós. Uma batalha constante nos é imposta.

Como uma roupa velha, lá no fundo do guarda roupa, apertada, que já não nos cabe, assim é nosso passado. Não há glória no que vivemos. Fomos fúteis, dominados pelo ego e amantes de nós mesmos. O que vivemos não é saudoso, é a vergonha de um homem levado de um lado a outro por sua vã vontade.

O que Cristo nos fez, transformou nossa maneira de enxergar e perceber o que nos cerca. Transformou nossa maneira de viver e pensar, nossa maneira de pensar e viver. Não podemos regredir para uma mentalidade reprovável, a impulsos de loucura onde estamos novamente no controle. Ele é tudo em nós e nós estamos n’Ele. Vivemos n’Ele, por Ele e para Ele. O passado já não nos serve. Nossos melhores dias não ficaram no passado, eles estão diante de nós.

"Há coisas muito, muito melhores à frente do que qualquer uma das que deixamos para trás". C. S. Lewis



LEONARDO CARVALHO é blogueiro e autor do Reformando Conceitos. Esposo da Cláudia (com quem escreve no e a gente se encontrou), pai da Tábata. Também é colaborador do Blog Apologetas. É músico e compositor. Formado em Teologia Ministerial no Seminário Vida Nova, cursa o bacharelado na FBMG. É membro da PIB Nova York em Belo Horizonte (MG).

Tempo de voltar

segunda-feira, 21 de agosto de 2017


O mundo em que vivemos está em constantes mudanças. Tudo o que nos cerca precisa ser percebido por uma ótica crítica. Uma ótica na qual não somos meros consumidores do que está sendo oferecido, mas pessoas que julgam com consciência e ética o que é coerente.

A política que nos enclausurava em uma dualidade sem sentido está prestes a mudar. Os conceitos pluralistas que já arrasaram os que por ele se diziam beneficiados, agora perde espaço para uma leva de ateísmo. Nosso tempo pós-moderno passou e vivemos no hipermodernismo, fenômeno de nossa sociedade atual. Tudo o que ouvimos como rumores, já se foi como folhas secas ao vento. Tudo o que pensamos estar tão sólido e concreto, se dissolveu e virou poeira embaixo de nossos pés.

Para os que negociaram seus valores atrás do vento impiedoso, que dizimou a esperança de muitos, ainda há tempo de refazer o caminho um dia esquecido. Ainda há tempo para escolher viver, escolher amar. Nada é mais desumano do que não reconhecer nossa humanidade, nossa debilidade diante do infinito. Nada é mais contrastante do que o amor de Deus a nós revelado, que nos encontra com graça e misericórdia e nos acolhe.

Assim como Pedro, que diante da sua incapacidade reconheceu isso, precisamos nos voltar e dizer:
"Senhor, para onde iríamos? Só o Senhor tem as palavras de vida verdadeira, de vida eterna". João 6:68—A Mensagem



LEONARDO CARVALHO é blogueiro e autor do Reformando Conceitos. Esposo da Cláudia (com quem escreve no e a gente se encontrou), pai da Tábata. Também é colaborador do Blog Apologetas. É músico e compositor. Formado em Teologia Ministerial no Seminário Vida Nova, cursa o bacharelado na FBMG. É membro da PIB Nova York em Belo Horizonte (MG).

ASSIM COMO DEUS ME FEZ, TAMBÉM FAÇO A TI

quinta-feira, 17 de agosto de 2017


Se quisermos que o nosso mundo seja curado, já não nos podemos apoiar na lógica de "assim como tu me fizeste, também eu te faço a ti". Devemos aprender a lógica de "assim como Deus me fez, também eu te faço a ti" - o caminho do perdão e da reconciliação. [Tomás Halik, em "A Noite do Confessor"]

O preceito mais radical de Jesus é talvez: "Sede misericordiosos como também o vosso Pai é misericordioso" (Lucas 6, 36).

Jesus descreve a misericórdia de Deus não só para me mostrar o que Deus sente por mim, ou para me perdoar os pecados e oferecer-me uma vida nova e muita felicidade, mas para me convidar a ser como Deus, a ser tão misericordioso para com os outros como Ele é para comigo. Se o único sentido da história fosse: toda a gente peca, mas Deus perdoa, muito facilmente começaria a pensar nos meus pecados como sendo uma bela ocasião para Deus me dar o seu perdão. Vistas assim as coisas, nem sequer haveria lugar para um autêntico desafio. Resignar-me-ia a ser fraco e ficaria à espera de que Deus acabasse por fechar os olhos aos meus pecados e me deixasse entrar em casa, fosse o que fosse que tivesse feito. Tal mensagem, porém, tão sentimental e romântica, não é a mensagem do Evangelho.

Se Deus perdoa aos pecadores, então aqueles que têm fé deveriam fazer o mesmo. Se Deus recebe os pecadores em casa, então aqueles que confiam em Deus também deveriam fazê-lo. Se Deus é misericordioso, então os que amam a Deus deveriam ser misericordiosos. O Deus que Jesus anuncia e em nome de quem atua, é o Deus da misericórdia, o Deus que se propõe como exemplo e modelo do comportamento humano."


Henri Nouwen, em "O Regresso do Filho Pródigo"

A vida é Trem Bala parceiro!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017


“A vida é Trem Bala parceiro!” já disse Ana Vilela. E pegando um gancho na sua música precisamos falar.

Não é sobre o que curtimos ou compartilhamos, mas sobre o tempo que perdemos vivendo vidas que não nos pertencem. A linha entre a realidade e o “Fake” é tensa, é preciso aprender a viver. É sobre sermos quem somos de verdade, sobre a fé que aceitamos, é sobre viver guiados por valores e princípios apontados por Jesus. Senão, apenas iremos sobreviver.

Não é sobre o que fazemos ou deixamos de fazer, mas sobre o quanto amamos. “A vida é Trem Bala parceiro!”. É pouco tempo demais para vivermos indiferentes, sem interesse, sem darmos atenção, sem cuidarmos e sem levarmos em consideração. Em contrapartida, é tempo demais para vivermos odiando, sentindo repulsa e antipatia intensa, raiva ou remoendo injúrias sofridas. É tempo demais, tempo perdido que não volta mais. 

A verdade, é que é sobre perdão, graça e misericórdia. É sobre um amor que não temos condições de compreender, muito menos retribuir. Precisamos mesmo é aceitar sermos amados. Mas também, é sobre como vivemos sabendo sobre essa nossa identidade diante do Deus que nos ama. É sobre conhecê-lo, sobre conviver com Ele, sobre buscá-lo. É sobre darmos crédito ao que Ele nos diz. É sobre andar tão perto, de modo que nossas atitudes sejam as d’Ele, que nossas palavras aproximem, não distanciem. É sobre como vivemos quando nos encontramos com Ele de verdade, lá no íntimo.

Porque “a vida é Trem Bala, parceiro!” já disse a Ana Vilela, “e a gente é só passageiro prestes a partir!"



LEONARDO CARVALHO é blogueiro e autor do Reformando Conceitos. Esposo da Cláudia (com quem escreve no e a gente se encontrou), pai da Tábata. Também é colaborador do Blog Apologetas. É músico e compositor. Formado em Teologia Ministerial no Seminário Vida Nova, cursa o bacharelado na FBMG. É membro da PIB Nova York em Belo Horizonte (MG).
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