Reintegração de posse no centro de São Paulo termina em confusão

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Na manhã de ontem (terça-feira 16), a polícia tentou fazer a reintegração de posse de um prédio, um hotel abandonando, que foi ocupado por cerca de 200 famílias, 800 pessoas, entre elas crianças, bebês. A avenida ficou interditada desde o início da manhã. A Justiça determinou que o prédio fosse desocupado. A desocupação foi marcada para às 6h. Só que houve um impasse entre os ocupantes do prédio e a Polícia Militar. A polícia tentou negociar com os invasores, só que eles acabaram não desocupando o prédio. A negociação acabou não acontecendo. As pessoas que estavam dentro do prédio lançaram cadeiras, móveis e explosivos na direção dos policiais, que revidaram com bombas de gás e tiros de bala de borracha.


por G1 / TV Folha "Não existe cor em SP"

Teologia? ...E daí?

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

É comum compartilharmos o evangelho em nossas comunidades de fé e sermos recebidos com aceitação e sincera contrição dos que nos ouvem. Muitos estão certos de que tudo o que explanamos no texto bíblico é importante e merece ser refletido. Mas é nítido a rejeição a primeira soada da palavra Teologia. É quase uma repulsa generalizada por aquilo que dizem não os pertencer.
O paradigma de que a teologia estava ligada unicamente para formação pastoral também já não existe mais. Estima-se que 85% das igrejas no mundo são lideradas por pastores com pouca ou nenhuma formação teológica. E deste número, menos de 10% dos pastores possuem um diploma de teologia.
Há pesquisas que mostram uma outra realidade assustadora na igreja norte americana. O Instituto Barna mostrou que Pastores são escolhidos pelo relacionamento interpessoal, capacidade de gerir, mas a preocupação com a sua teologia aparece somente no 8° lugar.
O que era importante infelizmente se tornou obsoleto. E o quadro é daí para pior. Muitas denominações de renome histórico infelizmente perderam sua identidade e caminham para o colapso.
 
Estaremos fazendo uma série de postagens sobre este tema tão relevante, intrinsecamente à vida da igreja. Que tem muito a nos dizer sobre o Deus que servimos, que também tem a dizer sobre o ser humano e suas relações. 

A MPB e a "Música de Crente"


Por que o grande Vinícius de Moraes, nosso poeta mais merecidamente “canônico”, ao lado de Bandeira e Drummond, podia cantar seus amores e desamores, suas muitas mulheres e desilusões, suas aquarelas e querelas, seu ceticismo tão próximo de Camus, seu agnosticismo existencialista que, no entanto e contraditoriamente, consolava-se com e nos seus afro-sambas, quase “pontos de macumba”, cânticos rituais do candomblé em discos consagrados e no set list de shows célebres como, por exemplo: “Tom, Vinicius, Toquinho e Miúcha”, gravado ao vivo no Canecão, em 1977, e eu não posso cantar um Salmo de Davi (1, 23, 84, 104, 131, 139, para citar apenas alguns dos meus favoritos) no meio de um show?

Por que o talentoso compositor mineiro João Bosco pode fazer o mesmo que o “poetinha” - expressar sua religiosidade - depois de cantar clássicos da Música Popular Brasileira, como sua parceria com Aldir Blanc eternizada na voz abençoada de Elis “O Bêbado e o Equilibrista”, e eu não posso dizer “É de coração/Tudo o que eu disse/Num hino de louvor /A Jesus de Nazaré...” – ou, no mínimo, sob pena de estar “misturando as coisas”, não devo?

Por que eu, caso esteja na plateia, assistindo a um show de Chico Buarque, Nana Caymmi, Zeca Pagodinho, Beth Carvalho ou qualquer outro artista brasileiro de renome, preciso aceitar como parte natural da cosmovisão do artista a expressão da sua fé ou crise/falta dela (exemplo: “Se eu quiser falar com Deus”, clássico dos clássicos do baiano tropicalista ), mas não recebo essa mesma contrapartida de “tolerância” se eu ou Carlinhos Veiga fazemos o mesmo, isto é, num espetáculo musical quando cantamos a beleza da Criação, a família, a dádiva da vida e, de repente, incluímos algo como Sérgio Pimenta, Guilherme Kerr, Jorge Camargo ou Rehder, ouvimos “Ah, isso é coisa de crente!”?

Preconceito.
Intolerância dos tolerantes.
Pode-se tudo desde que nada destoe do “ethos” pós-moderno.

Eu nunca pensei nesses termos, mas sou parte de uma minoria.

Até porque, cientificamente falando, minoria é um conceito sociológico - e não numérico, demográfico! Wanda Sá, grande nome da Bossa Nova (ganhou o mundo no conjunto de Sérgio Mendes) narra a censura que sofreu ao se converter por influência - pasmem! - do João Donato: “nada de música de crente, hein? “Ou um amigo músico (que prefiro manter no anonimato) perseguido pelo grande crítico e musicólogo Zuza Homem de Melo por ser crente. É óbvio que existe uma clara (às vezes, violenta) rejeição da classe intelectual brasileira ao protestantismo evangélico. Obviamente, pelo que vemos da TV, com razão. A desconfiança procede. O problema é colocar tudo o que se diz “evangélico” na mesma panela. O pensamento (!) e a práxis de Edir Macedo, R.R. Soares, Waldomiro Santiago e o deputado fanfarrão Feliciano são tão evangélicos quanto “boquinha da garrafa”, “Lepo Lepo” e “Ai se eu te pego... “devem ser consideradas algo da MPB. Teologia da prosperidade é algo tão cristão, protestante e evangélico quanto Ki-Suco é “Beaujolais” ou um “Merlot” chileno top.

Por favor, senhores críticos da “intelligentsia” tupiniquim, especialmente os jornalistas de cultura, esses sociólogos de almanaque que parece nunca ter lido e compreendido de verdade Adorno, por exemplo: precisamos de um pouco, um tiquinho de coerência e integridade intelectual, senhores! Como assim um articulista do Segundo Caderno do Globo pode expressar preocupação quase histérica com a possibilidade da Marina Presidente (nas eleições presidenciais passadas), ao dizer: “Já pensou? Uma presidente evangélica? Não teríamos mais carnaval! E além de tudo, cafona, com aquele coque...”? A senadora, respeitabilíssima mundo afora, caso tenha lido essa bobagem, deve ter gargalhado de chorar!

Isso é confundir Cristianismo com Cristandade, como comentaria Søren Kiekergaard. É achar que Cristo e Cultura devem ser a mesma coisa, notaria Niebuhr. É confundir o norte-americano com o cristão-protestante.

Tem muita gente por aqui em Pindorama que acha que ser evangelical (batista, presbiteriano, metodista, por exemplo) é ser “gringo”. De novo: a crítica não é semeada e vicejada do nada e no ar. A liturgia e idiossincrasias religiosas desse segmento do cristianismo são tipicamente estadunidenses. Para não citar a arquitetura: “Da linda pátria estou” é, na verdade, uma canção folk/caipira, assim como “Glória, glória, aleluia” é uma balada sobre um soldado sulista da Guerra de Secessão (1861-1865) -- só para mencionar alguns dos nossos “hinos”.

Mas é possível ser evangélico e ser brasileiro (estou escrevendo a respeito disso; um livro bem útil, espero e prometo). O problema é que nossos compositores e artistas não sabem do conselho sagaz de Emily Dickenson: “Fala toda a verdade – mas fale indiretamente”. Essa dica é especialmente salutar no que diz respeito ao desafio que cristãos evangelicais têm para fazer uma música para fora da igreja que possa ser cantada no culto e uma música para o culto (como Bach fazia) que possa ser executada fora. Eu olho para meus companheiros – cantores e compositores cristãos -- assustados dentro dos seus guetos -- e os vejo declamando, apavorados, o Salmo 137.4: “Como, porém, haveríamos de entoar o canto do Senhor em terra estranha?”. A resposta (a que eu encontro, seguindo Paulo, no seu sermão no Aerópago ateniense (Atos 17.16-34), Calvino, Kuyper, Francis Schaeffer, Hans Rookmaaker, historiador holandês e cristão de arte e a feliz interação de teologia e literatura na obra vasta, piedosa e erudita de Eugene Peterson, pode ser muito bem sintetizada na frase famosa de T.S. Elliot, em “Religion and Literature”: conheçam, critiquem e dialoguem com a cultura, para elaborar uma arte que seja “inconscientemente, em vez de deliberada e provocadoramente, cristã”. Ou seja, que digam ao nos ouvirem “Ah, isso é coisa de crente!” – mas com outra entonação. A que se deslumbrar diante da Beleza e da Verdade de mãos dadas. Perguntem ao músico Elomar se ele é cristão. O aclamado menestrel baiano dirá: “Sim, batista!”.







Gerson Borges é carioca do subúrbio e paulista do ABCD. É educador, escritor, músico/poeta e pastor na Comunidade de Jesus em São Bernardo (SP). Casado com Rosana Márcia, pai de dois meninos e torcedor do Flamengo e do São Paulo. 
Fonte: Ultimato

Uma pessoa se suicida a cada 40 segundos no mundo

quarta-feira, 10 de setembro de 2014




Relatório divulgado na última quinta (4 de Setembro) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) registra que uma pessoa se suicida a cada 40 segundos no mundo. A OMS alerta que a prevenção do problema deve ser priorizada nas políticas públicas e encarada como uma questão de saúde pública. Em números absolutos, o Brasil aparece como o 8° país em casos de suicídios.

De acordo com o relatório, cerca de 800 mil pessoas cometeram suicídio em 2012. Essa é a segunda principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos. A ingestão de agrotóxicos, enforcamento e uso de armas de fogo estão entre os meios mais utilizados em escala mundial para o suicídio. Conforme o documento, os transtornos mentais e o consumo nocivo de álcool também contribuem mundialmente para a prática. De acordo com o relatório, em todo o mundo os suicídios representam 50% das mortes violentas entre homens e 71% entre mulheres.

Os dados da OMS apontam que no Brasil, em 2012, foram registrados 11.821 suicídios. Desses, 9.198 envolvendo homens e 2.623 mulheres. Em números absolutos, os países à frente do Brasil são a Índia (258 mil), China (120 mil), Estados Unidos (43 mil), Rússia (31 mil), Japão (29 mil), Coréia do Sul (17 mil) e Paquistão (13 mil). Em relação à proporção da população do país, a liderança do ranking é da Guiana.

A OMS considera possível prevenir o suicídio. Para isso, sugere a incorporação nos serviços de saúde da prevenção como componente central. A agência da Organização das Nações Unidas para saúde informa ter conhecimento de apenas 28 países com estratégias nacionais de prevenção do problema.


por Agência Brasil - Texto de Yara Aquino - Edição de Armando Cardoso

10 perguntas fundamentais sobre Missão Integral

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O Portal Ultimato convidou o teólogo René Padilla, autor da nova edição do clássico Missão Integral – o reino de Deus e a igreja e de O Que É Missão Integral?, para responder dez perguntas fundamentais sobre a Teologia da Missão Integral. Acompanhe a entrevista a seguir.

1. O que é a Teologia da Missão Integral (TMI) e o que a torna relevante? 

René Padilla - A TMI não é uma teologia com a pretensão de abarcar todos os temas de um sistema teológico completo, como é o caso, por exemplo, da “Instituição da Religião Cristã”, de João Calvino. É, na verdade, uma aproximação à fé cristã que tenta relacionar a revelação do Deus trino com a totalidade da criação e com todo aspecto da vida humana, e tem como propósito a obediência da fé para a glória de Deus.

2. A TMI é uma versão protestante da Teologia da Libertação?

René Padilla - Depende de como se define a Teologia da Libertação, da qual há várias versões. É “protestante” ao afirmar várias das ênfases fundamentais da Reforma Protestante do século XVI (a clássica e a anabatista). Ao mesmo tempo, dá muita importância à dimensão histórica da revelação de Deus e à dimensão contextual da experiência da salvação por meio de Cristo Jesus. Nisto coincide com a aproximação teológica de alguns dos autores que se identificam como teólogos da libertação e, consequentemente, enfocam a Palavra de Deus como “proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça [incluindo necessariamente seu aspecto social], para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra” (2 Timóteo 3.16-17).

3. Qual o valor do evangelismo na TMI?

René Padilla - Sem evangelização como comunicação oral do Evangelho não há prática da missão integral cristã. Esta abarca as dimensões da vida cristã: o ser, o fazer e o dizer. Ao mesmo tempo, a partir desta perspectiva, temos de afirmar que a evangelização não pode ser reduzida à comunicação oral do Evangelho, já que o testemunho cristão exige que o que os cristãos digam (ou proclamam) seja ratificado pelo que são e pelo que fazem.

4. Qual o valor da responsabilidade social na TMI?

René Padilla - Alinhado com o que disse no parágrafo anterior, sustento que a ação cristã (o que se faz em nível pessoal e social) é um aspecto essencial do testemunho cristão. As boas obras não são opcionais para nós que cremos que, embora não sejamos salvos pelas obras, “somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2.10).

5. Qual o valor da Bíblia na TMI?

René Padilla - Sem a Bíblia, não há possibilidade de TMI. Como já disse antes, a TMI é uma aproximação à fé cristã que tenta relacionar a revelação da trindade de Deus com a totalidade da criação e com cada aspecto da vida humana. Por meio da Bíblia, mediante a iluminação do Espírito Santo, entramos em contato com a revelação especial de Deus, cuja culminância se dá na pessoa e na obra de Jesus Cristo.

6. A TMI é um movimento latino-americano?

René Padilla - É um movimento latino-americano só no sentido de que especialmente (mas não exclusivamente) na América Latina, pela graça de Deus, nas últimas décadas, houve um ressurgimento de temas teológicos fundamentais presentes em teólogos e pregadores ao longo de toda a história da igreja – temas tais como a íntima relação entre o amor a Deus e o amor ao próximo, “shalom” como o propósito de Deus para a vida humana, e o lugar da justiça, da misericórdia e da humildade na vida daqueles que confessam o seu nome. Lamentavelmente, devido em grande parte ao individualismo da era moderna, tais temas tinham sido esquecidos com grande frequência em setores evangélicos dos “países protestantes” que enviaram muitos dos missionários ao redor do mundo, incluindo o nosso continente. Na providência de Deus, tais temas recuperaram, em grande parte, o seu lugar em nosso continente na segunda metade do século XX, especialmente em círculos da Fraternidade Teológica Latino-americana.

7. A arte cristã pode dialogar com a TMI?

René Padilla - Toda arte sempre mantém uma relação, maior ou menor, com a criação de Deus, e esta, por sua vez, merece atenção por parte da arte cristã. Isto permite que a TMI se ocupe da arte como expressão do reconhecimento da soberania de Deus sobre a totalidade da criação e sobre todos os aspectos da vida humana.

8. A TMI tem um método científico definido?

René Padilla - Mais que ciência com “um método científico definido”, a TMI é um diálogo entre a revelação de Deus e a vida humana em suas múltiplas facetas. Para uma compreensão mais elaborada de tais facetas da vida humana, as ciências humanas (por exemplo, a antropologia, a sociologia, a economia e a política) são de grande ajuda. Por esta razão, a TMI se esforça para conseguir que o diálogo com a revelação seja um diálogo interdisciplinar.

9. Qual a relação da TMI com o Movimento Lausanne?

René Padilla - Não há uma relação “oficial” entre a TMI e o Movimento de Lausanne, mas, indubitavelmente, a influência da TMI no Movimento de Lausanne cresceu admiravelmente ao longo dos anos. O parágrafo 5 do Pacto de Lausanne, que surgiu de Lausanne I, em 1974, afirma que, já que Deus é Criador e Juiz de todos os seres humanos, “devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão”; que “a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão”; que “a mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam” e que “a salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais”. Em grande medida devido à penetração da TMI em círculos evangélicos em nível global nas últimas décadas, estas afirmações, junto com muitas outras do mesmo teor, fornecem a substância fundamental do “Compromisso da Cidade do Cabo”, que surgiu de Lausanne III, em 2010.

10. Qual o valor da contribuição de John Stott para a consolidação da TMI?

René Padilla - John Stott, graças à transcendência mundial do seu ministério, foi usado por Deus, especialmente a partir de 1974, para abrir a porta do mundo evangélico para que a TMI rompesse a resistência que encontrou por muitos anos nos “países protestantes” e, pouco a pouco, recebesse o reconhecimento como teologia autenticamente evangélica de que hoje goza em nível global, especialmente na América Latina, na Ásia e na África.


Tradução: Wagner Guimarães
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