O drama das drogas na igreja evangélica

segunda-feira, 18 de maio de 2015



Estreou na última Quinta (14/05) em aproximadamente 50 salas de cinema no Brasil Metanoia, do jovem cineasta Miguel Nagle, de 31 anos. O filme, que tem a participação de atores famosos como Caio Blat, trata do conhecido problema das drogas, mas com algo inédito: o drama no contexto de uma família evangélica. Isso mostra que “nenhuma classe social, nenhuma religião, nenhuma esfera da sociedade está imune ao problema que há das drogas e do crack”, diz Miguel. “Metanoia” conta a história de Solange, uma mãe cristã do Jardim Ângela, em São Paulo (SP), tentando resgatar o filho Eduardo do mundo do crack.

Reunindo fatos de histórias reais, a ideia do filme surgiu com o ator Caíque Oliveira (que interpreta o protagonista da história). Ele estava em uma igreja em Santarém (PA) quando uma mãe pediu ajuda para comprar barras de ferro. Ela queria construir uma jaula para o filho dependente químico.

Leia a seguir a entrevista que o Portal Ultimato fez com Miguel Nagle.

__________

1. O filme “Metanoia” estrea hoje (14/05) nos cinemas brasileiros. Do que trata a película? É uma história real? Por que falar sobre este assunto?

“Metanoia” conta sobre a vida do personagem Eduardo, onde ele se envolve com o crack e o universo da Cracolândia em São Paulo (SP). Mostra o drama de uma mãe tentando resgatar o filho do vício. Ele não é baseado especificamente em uma pessoa, ele tem vários recortes de diversas histórias reais, mas o roteiro foi baseado em uma história ouvida em Santarém (PA) pelo Caíque Oliveira, que é ator e produtor do filme. Uma mãe pediu numa igreja dinheiro para comprar ferro porque precisava construir uma jaula para o filho. Então, desde esse momento o Caíque ficou com essa história na cabeça e a gente querendo produzir um projeto relacionado a isso, porque o crack virou uma epidemia no Brasil, não só nos grandes centros, mas no interior e isso virou um problema social muito grande, questão de saúde pública já. Um filme, uma obra cinematográfica, pode contribuir para enfrentar esse problema, levando fé, esperança, transformação.

2. O subtítulo do filme diz “mães de joelhos, filhos de pé”. Como “Metanoia” aborda a relação entre o cristianismo e o drama das drogas? Qual o papel da oração no combate às drogas?


O filme mostra a fé de uma mãe querendo libertar o filho. E o crack é uma droga muito destruidora. De cada dez usuários, oito não conseguem sair. O filme trata de uma força maior que vem de Deus para ajudar o dependente a sair do vício. A gente aborda nesta perspectiva: que a oração tem poder de restaurar.

3. Além de ter no elenco atores conhecidos, como Caio Blat, “Metanoia” também conseguiu espaço em circuitos comerciais importantes como o Cinemark. Em quantas salas vai estrear? Qual sua expectativa de público? Como um filme com personagens evangélicos conseguiu adentrar o universo do cinema nacional?

Nosso foco sempre foram os cinemas. Ter grandes redes de cinema como Cinemark, UCI e Kinoplex exibindo o filme é uma porta enorme pra gente. Vamos estrear em aproximadamente 50 salas. E a nossa expectativa é enorme. A gente quer lotar as salas para que venham mais projetos, para que o povo de Deus tenha mais interesse de ir ao cinema ver filmes edificantes. A ideia é usar o cinema, a sétima arte para levar uma mensagem bacana para o povo de Deus e para quem precisa ouvir também, porque o cinema atende ao público geral. Eu acho que esses atores como Caio Blat, Thogun Teixeira, Solange Couto, Silvio Guindane, eles contribuíram bastante para ter essa abertura no mercado, assim como a Europa Filmes. A gente quis que o projeto dialogasse com quem não é cristão. Então a gente trouxe o Caíque Oliveira que é um ator bem conhecido no cenário cristão e isso acho que foi direcionamento de Deus para que o filme tivesse abertura em diversos segmentos.

4. O consumo das drogas atinge, em cheio, a juventude brasileira. Mas, como o filme mostra, os jovens evangélicos também não estão imunes a isso. O que aconteceu? A igreja está confusa? As famílias estão fracas? Como o Cristianismo está lidando com o problema das drogas?


O filme apresenta uma realidade bem densa em relação ao universo do crack. Nenhuma classe social, nenhuma religião, nenhuma esfera da sociedade está imune ao problema que há das drogas e do crack. Hoje em dia, você vê crack em tribo indígena, por exemplo. Então ele é muito perigoso assim como outras drogas e a gente precisa dialogar mais sobre isso com as igrejas, a gente precisa dialogar mais sobre isso com as lideranças a fim de deixar a juventude atenta ao perigo. O crack é uma droga que quem usa a primeira vez vicia e é uma droga onde a cada dez oito não conseguem sair, é uma droga bem pesada. O filme mostra isso. Quem nunca usou, não entre neste universo, porque a gente mostra a realidade de um morador em situação de rua.

5. A revista Ultimato publicou em julho de 2014 sua matéria de capa com a manchete Crack – o monstro de boca aberta. O crack é o grande vilão atualmente?

Eu acredito que o crack é o grande vilão hoje da juventude. As pessoas buscam outras substâncias, outras coisas para preencher o “vazio”. A droga apresenta esse prazer momentâneo para o usuário, mas que acaba sendo uma falsidade, né?! Acredito sim que o crack é um grande vilão atualmente!

6. Podemos dizer que “Metanoia” é um filme cristão? 

O filme “Metanoia” apresenta conceitos cristãos, filosofia cristã, mas a gente não gosta muito de rotular, para não fechar muito as portas do meio secular, do público geral. É um filme de ficção, de drama onde trata sobre o assunto, o drama da mãe que tenta resgatar o filho, uma mãe que tem fé. Esses rótulos servem mais para categorizar o filme, mas preferimos deixar isso em aberto.

7. Por que os cristãos devem assistir “Metanoia”?


Os cristãos devem assistir porque é um filme de alerta, um filme importante, que leva fé, esperança pras pessoas, um testemunho de vida muito grande. Então devem levar os adolescentes, amigos, familiares para assisti-lo. É um filme que desperta a igreja também, que mostra para a igreja o quanto ainda precisamos trabalhar, o quanto tem gente precisando da gente. Mostra uma realidade que a igreja precisa ver e que, às vezes, não enxerga esse invisível. Por isso é importante que todos vejam.

8. Como a cosmovisão cristã pode contribuir para o cinema?


Toda obra de arte, seja cristã ou não, ela traz um certo discurso do realizador, do artista para dialogar com o mundo. Uma mensagem que ele quer passar para o espectador, seja sobre o meio ambiente, seja sobre leis morais, seja sobre outros assuntos diversos. E eu, como realizador de cinema, procuro falar o que acredito. O que acredito é o que o Bíblia diz e o cristianismo me traz. Na minha vida como diretor de cinema, roteirista, eu procuro contribuir com a minha cosmovisão para produzir projetos, produzir filmes que tragam transformação. Então acho que o cinema é uma ferramenta poderosíssima para propagar a mensagem do Evangelho. Hollywood já sabia que é uma ferramenta poderosíssima, e estamos um pouco atrasados em relação à Hollywood porque por muito tempo a gente “demonizou” o cinema. Mas o cinema pode trazer mensagens positivas, mensagens de transformação de fé, tanto que Jesus falava por parábolas, Jesus usava histórias para falar com o povo e o cinema é uma ferramenta para isso.

9. Você é um cineasta cristão ou um cristão cineasta? Há diferenças?

Sou um cristão. Acho que a pessoa tem que ser cristão independemente da profissão que ele exerça. Sou cristão em qualquer ambiente que eu esteja, em qualquer momento. Levo os ensinamentos que estão na Bíblia, que eu aprendo com Cristo. Assim como não gosto de rotular um filme como “cristão”, não gosto de me rotular. Faço os filmes com o que vivo, com o que penso, com o que vejo.

***
Crack no Brasil

Segundo pesquisa encomendada pelo Ministério da Justiça à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicada em 2014, no Brasil, há cerca de 370 mil usuários regulares dependentes do crack, número que corresponde a 0,8% da população das capitais do país e a 35% dos consumidores de drogas ilícitas nessas cidades.

Do total de dependentes de crack, cerca de 14% são crianças e adolescentes, o que equivale a mais de 50 mil usuários. No entanto, alguns estudiosos calculam que essa realidade pode ser até três vezes maior. Ainda de acordo com o estudo, 78,9% dos usuários da droga desejam se tratar, mas falta acesso a algum tipo de tratamento.


*OuçaEntrevista com os diretores do filme Miguel Nagle e Josy Antunes no podcast Irmaos.com
_________

por Equipe Editorial Web

Dez Mandamentos para o Mundo Virtual

quarta-feira, 13 de maio de 2015


1. Não viverás no mundo virtual, apenas farás incursões. Não substituirás o mundo real pelo mundo virtual.

2. Não venderás a alma para ganhar seguidores.

3. Jamais esquecerás que tua imagem no mundo virtual é fake, apenas uma personagem, e, portanto, jamais te confundirás com o teu avatar.

4. Não serás displicente a respeito das dimensões pública (o que todo mundo pode saber e não dá para esconder), privativa (o que apenas as pessoas que convivem com você sabem) e íntima (o que somente as pessoas que você deseja que saibam conseguem saber) da vida. Não devassarás tua vida íntima.

5. Saberás claramente as razões porque estás presente no mundo virtual e utilizas as redes sociais. As intimidades e afetos podem começar no mundo virtual, mas devem ser retiradas do mundo fake das personagens para que sejam redimidas na vida real.

6. Conscientemente construirás tua identidade no mundo virtual. Não darás ponto sem nó. Saberás com quem falas, porque falas e aonde queres chegar ao falar.

7. Não serás melindroso: Quem fala o que quer, ouve o que não quer.

8. Não aceitarás provocações. Discutirás idéias e não pessoas. Ao seres ofendido, não ofenderás. Ao seres xingado, não xingarás. Não te esquecerás que quem te agride fala mais de si do que de ti.

9. Não farás de ti mesmo o assunto das tuas mídias sociais. Conterás tua carência, conterás tua vontade de aparecer, e deixarás que sejam outros os lábios que te louvem. §1° Não posarás de vítima. §2° Deixarás de lado todo mimimi.

10. Não cobiçarás as mídias dos outros e seus respectivos seguidores. §1° Não plagiarás. §2° Darás crédito de tudo o que postas.

__________

Ed René Kivitz graduado em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo, mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo; pastor presidente da Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo; autor de Quebrando paradigmas (Abba Press), Vivendo com propósitos, Outra Espiritualidade e O livro mais mal humorado da Bíblia (Mundo Cristão); idealizador do Fórum Cristão de Profissionais.

Eu idolatro, Tu idolatras, Nós idolatramos

quinta-feira, 7 de maio de 2015


Quando lemos sobre o empresário que tinha um carro no meio da sala de uma de suas muitas casas, ficamos surpresos, mas não devíamos, porque somos realmente capazes de criar ídolos. Na verdade, não somos iconoclastas (aqueles que derrubam ídolos); somos idólatras (aqueles que levantam ídolos).

Podemos idolatrar as coisas, com as quais devíamos ter uma relação sadia, já que são apenas coisas. Podemos idolatrar os objetos eletrônicos que possuímos, mesmo sabendo que ficarão obsoletos dentro de alguns meses.

Podemos idolatrar o conhecimento que adquirimos por meio do estudo. Podemos inclusive decoram as paredes dos nossos escritórios com diplomas e certificados que, a propósito, são sempre bordejados com a cor do ouro.

Podemos idolatrar as ideologias, tanto as políticas ou filosóficas quanto as de consumo, que se tornam moda. Sentimo-nos na obrigação de pensar o que nos dizem para pensar ou de vestir o que nos dizem para vestir ou frequentar o restaurante que nos mandam ir. Dizemos que nossas escolhas são racionais, porque assim nos são vendidas. Elas podem ser racionais para os seus formuladores, não para os seus consumidores.

Podemos idolatrar pessoas públicas, celebridades e subcelebridades. Nós olhamos para suas imagens como se olhássemos para elas. Nós as vemos na televisão e achamos que nos relacionamos com elas. Não há imagem mais perfeita para a idolatria.

Objetos, conhecimentos, ideologias e pessoas públicas são coisas, a menos que lhes sopremos o fôlego da vida. Quando Jesus deu ao dinheiro o nome de um deus (Mamom), estava nos lembrando que podemos idolatrar as coisas. Por isto, o mandamento bíblico é claro: "não faças para ti imagens de escultura" (Êxodo 20.).

Ou adoramos livremente o Deus verdadeiro ou nos tornamos escravos das coisas. A boa notícia é que podemos escolher.

Podemos idolatrar pessoas comuns. Pais podem idolatrar seus filhos. Esposas podem idolatrar seus maridos. Alunos podem idolatrar seus professores. Fiéis podem idolatrar seus pastores. Nossos sentimentos, inicialmente lindos, acabam se tornando em fantasia. Pomos essas pessoas como a razão de ser de nossas vidas. Imaginamos que elas são o que não são e nem podem ser. E quando nos relacionamos com as imagens que fazemos das pessoas, nós não nos relacionamos verdadeiramente com as pessoas, mas com os ídolos que fazemos delas.

Podemos nos relacionar com as pessoas por aquilo que podem nos dar. Neste caso, nós as mercantilizamos. As pessoas são vistas pelo que podem nos oferecer. Quando alguém faz aniversário, podemos, por exemplo, cumprimentá-lo nos seguintes termos:

- Parabéns! Que Deus lhe dê muitos anos de vida para que você continue nos inspirando.

Nossas palavras dizem que não amamos o aniversariante pelo que ele é, mas pelo benefício que, eventualmente, pode nos gerar. É tudo muito sutil, sutil e dramático.

Podemos nos idolatrar a nós mesmos, curvando-nos diante da trindade absoluta do eu, eu e eu. Para os escravos desta idolatria, o que importa é o que sentem e como se sentem. O que importa é que a sua autoestima esteja alta. Quando nos submetemos a estes ídolos, exigimos que as pessoas nos aceitem como nós somos, mesmo em nossos defeitos de caráter que não admitimos e não queremos mudar. Boas são as coisas que nos dão prazer, mesmo que nos furtem a consciência.

Para não mercantilizarmos nossos relacionamentos, precisamos ouvir os Dez Mandamentos. Ouvindo-os, seremos candidatos a nos relacionarmos de modo sincero com Deus. Quando nos relacionamos de modo sincero com Deus, pelo prazer de estar com ele e não pelo que oferece, estamos prontos a jogar fora as nossas máscaras.
É sem máscaras que a vida vale a pena.


__________

Israel Belo de Azevedo é pastor da Igreja Batista Itacuruçá, no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro. Graduado em teologia e em comunicação, pós-graduado em história, mestre em teologia e doutor em filosofia. Também é escritor de obras aclamadas como "Academia da Alma" publicado pela editora Hagnos.
CopyRight © | Theme Designed By Hello Manhattan